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Líder catalão Carles Puigdemont pode deixar Itália mas tem de voltar a 4 de outubro

ALBERT GEA

Ex-presidente do Governo regional da Catalunha é acusado por Madrid de envolvimento numa "tentativa de secessão" em 2017.

O líder independentista catalão Carles Puigdemont foi libertado esta sexta-feira e autorizado a deixar, temporariamente, a Itália, indicou o seu advogado, mesmo que a justiça deste país deva ainda pronunciar-se sobre o pedido de extradição emitido por Espanha.

Saudado por apoiantes, o ex-presidente do Governo regional catalão, acusado por Madrid de envolvimento numa "tentativa de secessão" em 2017, deixou esta sexta-feira a prisão de Sassari, na Sardenha, onde estava detido.

Segundo o seu advogado Agostinangelo Marras, o ex-líder catalão foi autorizado a deixar a Itália após ter demonstrado que Puigdemont se pode mover sem limitações, mas confirmou a sua comparência numa próxima audiência do tribunal da Sardenha a 4 de outubro.

O Tribunal de Apelo de Sassari considerou que a sua prisão no aeroporto de Alguer, na quinta-feira, se efetuou de acordo com a lei, mas optou por deixá-lo em liberdade sem medidas cautelares até à convocatória de 4 de outubro, onde eventualmente será decidida, ou rejeitada, a sua entrega a Espanha após a ordem emitida pelo Supremo Tribunal.

À saída da prisão, rodeado por um grupo de independentistas da Sardenha que clamaram pelo seu nome e pela independência, enquanto soavam canções em catalão e se agitavam bandeiras da Catalunha e da Sardenha, Puigdemont disse aos jornalistas que se encontrava "muito bem" e ironizou sobre o facto de ter sido libertado ao considerar que "a Espanha nunca perde as oportunidades do ridículo".

Segundo o ex-Presidente catalão, a "decisão" do Tribunal Geral da União Europeia sobre a sua liberdade de movimentos por território europeu, na sua condição de eurodeputado, era "claríssima".

Explicou ainda que antes de aterrar no aeroporto da Sardenha na quinta-feira, "tinha uma notícia de que havia carabinieri [um ramo das Forças Armadas]" e pensou que "isto podia acontecer", numa alusão à sua detenção.

Mas "também sabemos como vai terminar", disse, admitindo desta forma que o seu caso será resolvido sem uma extradição para Espanha.

De visita à ilha de Palma, onde um vulcão entrou em erupção, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, considerou que o líder independentista, que fugiu em 2017 para a Bélgica para escapar às perseguições judiciais e onde ainda vive, deve "submeter-se à justiça" espanhola.

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