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Nova sondagem na Alemanha reduz para 1 ponto percentual a diferença entre Scholz e Laschet

Ativista dos direitos humanos coloca várias fotos de políticos alemães à frente do Palácio Reichstag, onde o Parlamento federal da Alemanha exerce as suas funções. O ato acontece durante um protesto contra violação dos direitos humanos.

FILIP SINGER

Vantagem do social-democrata sobre o conservador para as eleições gerais de domingo.

A vantagem do social-democrata Olaf Scholz sobre o conservador Armin Laschet para as eleições gerais de domingo na Alemanha reduz-se a um ponto percentual, segundo uma nova sondagem divulgada esta sexta-feira.

O Instituto de Estudos de Opinião Allensbach atribui a Scholz (SPD) 26% das intenções de voto, seguido de Laschet (CDU/CSU) com 25%, numa sondagem encomendada pelo diário Frankfurter Allgemeine Zeitung.

O estudo confere aos Verdes 16% das intenções de voto (mais meio ponto percentual que a sondagem anterior), aos liberais do FDP 10,5% (mais um ponto percentual) e ao partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) 10% (menos um ponto percentual).

A Esquerda obterá, de acordo com esta sondagem, 5% (menos um ponto percentual que a sondagem anterior), que é o mínimo necessário para ter assento parlamentar no Bundestag (câmara baixa do parlamento federal alemão).

Outra sondagem também hoje divulgada, realizada por encomenda da estação privada RTL, coloca o SPD na liderança da corrida eleitoral, com 25% das intenções de voto, à frente dos 22% do bloco CDU/CSU.

Os Verdes podem manter o terceiro lugar, com 17%, seguidos do Partido Liberal (FDP), com 12%, da formação de extrema-direita AfD, com 10%, e de A Esquerda, com 6%.

O candidato conservador às legislativas alemãs, Armin Laschet, encerrou hoje a sua campanha rodeado da chanceler, Angela Merkel, e do primeiro-ministro bávaro, Markus Söder, numa ação de campanha com a qual espera ultrapassar a ligeira desvantagem que tem até domingo.

Laschet, o presidente da União Democrata-Cristã (CDU), esteve durante a campanha na sombra de Merkel que, ao princípio, se manteve muito distante da mesma.

"É necessário assumir a importância de Angela Merkel para não deitar a perder o que se conseguiu em 16 anos", disse Laschet no início do seu discurso, expressando igualmente o desejo de que Söder faça parte do seu futuro Governo.

Söder, o presidente do partido irmão da CDU, a União Social-Cristã (CSU) da Baviera, também se transformou numa sombra para Laschet, depois de com ele ter disputado, sem êxito, o lugar de candidato conjunto dos dois partidos.

Dentro da CSU, aliás, muitos não esconderam a opinião de que o bloco conservador teria tido mais força nestas eleições se Söder fosse o candidato.

Contudo, depois de os social-democratas terem ocupado a primeira posição nas sondagens, os dois partidos cerraram fileiras e Merkel, por sua vez, começou a apoiar expressamente Laschet e a combater a ideia de que o seu verdadeiro sucessor é o seu ministro das Finanças, o candidato do SPD, Olaf Scholz.

"A CDU e a CSU têm sido sempre os partidos da moderação e do centro e aqueles que conseguem criar pontes quando surgem novos problemas", disse Merkel em Munique.

A chanceler cessante acrescentou ainda que o bloco conservador foi determinante na introdução do euro, na reunificação alemã e na política europeia.

Por seu lado, a família social-democrata alemã exibiu hoje uma coesão quase desconhecida em torno de Olaf Scholz, lançado para uma vitória eleitoral que há alguns meses parecia impossível e que agora contempla, mas não tem assegurada.

"Queremos a mudança, queremos um Governo liderado pelo Partido Social-Democrata", declarou Scholz, saudando os seus apoiantes em Colónia, rodeado da cúpula da sua formação e com a presidente da câmara de Paris e candidata à Presidência francesa, Anne Hidalgo, como convidada internacional.

A escolha de Colónia para o encerramento da campanha não foi casual: a Renânia do Norte-Vestefália, o seu "Land", foi um feudo tradicionalmente social-democrata e agora é a pátria política do seu principal adversário, Armin Laschet, o candidato do bloco conservador e chefe do Governo regional do "Land", o mais populoso da Alemanha.

"Salvámos milhões de postos de trabalho com a jornada laboral reduzida, à qual dedicámos milhares de milhões", afirmou, referindo-se a uma das suas decisões como ministro das Finanças que, perante a pandemia e para evitar o desemprego maciço, rompeu com a austeridade dominante em sucessivos Governos da conservadora Angela Merkel.

Defendendo que a vontade política não basta para obter a justiça social de que a Alemanha precisa, acrescentou que "é uma questão de dinheiro", para renovar uma das suas promessas desta campanha: o aumento do salário mínimo dos atuais 9,6 euros por hora para 12 euros por hora.

A luta contra a emergência climática "que os jovens reclamam será um objetivo prioritário de um Governo liderado por nós", declarou, sustentando que a Alemanha deve efetuar uma "transição energética ecológica", após o adeus à energia nuclear aprovado pelo executivo de Gerhard Schröder, o último chanceler social-democrata do país.

"A Alemanha não pode enterrar-se em 'mais do mesmo'", afirmou, referindo-se a Laschet.

"Vão votar, aqueles que ainda não o fizeram, e coloquem as duas cruzes no Partido Social-Democrata", disse, para encerrar o discurso, advertindo contra a estratégia de repartir os dois votos, dando um à sua formação e o outro a um hipotético parceiro de coligação "desejado".

Todas as sondagens realizadas apontam para que seja necessária uma coligação tripartidária para governar, a menos que se repita uma improvável nova edição da grande coligação (SPD e CDU/CSU), que teria uma maioria estreita.

Neste momento, apresentam-se três variáveis: duas lideradas pelo SPD e outra liderada pelo bloco CDU/CSU.

O SPD poderá formar uma aliança com Os Verdes e os liberais do FDP, para a qual o principal obstáculo seriam as divergências em matéria fiscal com os liberais e entre os liberais e Os Verdes.

A outra fórmula seria a aliança com Os Verdes e A Esquerda, à qual aludem permanentemente os conservadores, cujo maior obstáculo são as posições deste último partido em matéria de política externa.

A CDU/CSU, por seu lado, tem em mira uma possível coligação com Os Verdes e os liberais, o que já tentou há quatro anos sem conseguir chegar a um acordo.

Tanto a CDU/CSU, como o SPD, descartam qualquer tipo de cooperação com a AfD, e a CDU/CSU também descarta uma coligação com A Esquerda.

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