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Erupção do vulcão em La Palma deve estar longe do fim

CARLOS DE SAA

Ventos deverão virar a coluna de cinzas e gases em direção à encosta nordeste da ilha.

O fim da erupção do vulcão da ilha La Palma, nas Canárias, não deverá estar próximo, apesar de se encontrar na fase "madura", segundo indicou na terça-feira o Instituto Geográfico Nacional (IGN) espanhol.

Operação do aeroporto em risco

Depois da reunião diária da comissão científica que avalia o processo eruptivo iniciado no dia 19 de setembro, a diretora do Instituto Geográfico Nacional (IGN), María José Blanco, indicou que a previsão do tempo aponta para ventos esta quarta-feira à tarde, que deverão virar a coluna de cinzas e gases em direção à encosta nordeste da ilha, o que pode afetar a operação do aeroporto de La Palma.

Além disso, continuou María José Blanco, os cientistas detetaram a abertura de uma zona de fissura a cerca de cem metros a nordeste do cone principal do vulcão com emissão de gases e solos de alta temperatura que, em princípio, não têm caráter eruptivo.

O IGN localizou nas últimas 24 horas 75 terramotos na parte sul da ilha de La Palma e 17 deles foram sentidos pela população.

De acordo com os dados do IGN, um valor de intensidade máxima foi atingido na zona epicentral em dois dos terramotos que ocorreram ao início da tarde de segunda-feira, ambos de magnitude 3,7.

O IGN observa um aumento no número de terramotos e suas magnitudes em relação aos dias anteriores e especifica que sete dos terremotos registados têm uma magnitude maior ou igual a 3,5.

Como nos dias anteriores, a maior parte da sismicidade está localizada a 10-15 quilómetros de profundidade na área onde o enxame sísmico começou em 11 de setembro, embora sete deles estejam em maior profundidade, entre 25 e 40 quilómetros.

A amplitude média do tremor vulcânico mostra um ligeiro aumento progressivo desde a manhã de segunda-feira e continua no mesmo intervalo médio de valores em relação ao observado nesta erupção vulcânica do Cumbre Vieja.

Qualidade do ar sofreu melhorias

De acordo com o El País, a qualidade do ar na ilha de La Palma registou melhorias esta quarta-feira, embora as autoridades alertem que pode piorar nos próximos dias.

A lava do vulcão Cumbre Vieja cobre já uma área de mais de 420 hectares. O colapso parcial do vulcão no domingo fez com que o fluxo de lava aumentasse e se tornasse mais líquida. A queda parcial da estrutura das paredes do cone do vulcão fez unir as zonas de erupção, provocando um caudal maior de lava e que alcança, em determinados pontos, quase um quilómetro de largura.

VULCÃO DE LA PALMA JÁ TERÁ EMITIDO CERCA 250 MIL TONELADAS DE DIÓXIDO DE ENXOFRE

O Instituto Vulcanológico das Ilhas Canárias (Involcan) estimou em 250 mil toneladas a quantidade de dióxido de enxofre (S02) emitida para a atmosfera pelo vulcão La Palma desde a sua erupção em 19 de setembro.

Numa publicação nas redes sociais, o Involcan ressalva que o cálculo pode ser "um valor subestimado" por se basear na realização de medições de SO2 em posição móvel terrestre, que representam "limitações importantes devido a vários fatores"

A entidade das Ilhas Canárias que tem monitorizado o vulcão Cumbre Vieja desde que entrou em erupção, em setembro passado na ilha espanhola de La Palma, adianta que o conhecimento dos níveis de emissões de CO2, permite também estimar em 35 milhões de metros cúbicos o volume de magma libertado pelo vulcão.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, anunciou que o Governo vai aprovar um pacote de medidas para ajudar na reconstrução da ilha. São mais de 200 milhões de euros para ajudar as vitimas e mitigar os efeitos da erupção.

A semana passada o Governo já tinha declarado a ilha como zona de catástrofe e aprovado as primeiras ajudas: 10,5 milhões de euros para comprar 107 casas, móveis e eletrodomésticos para as vítimas.

VULCÃO DE LA PALMA TEM EXPLOSIVIDADE DE MAGNITUDE 2

O vulcão de La Palma (Canárias) tem um índice de explosividade de magnitude dois, numa escala entre zero e oito, de acordo com o último relatório científico do Plano de Emergência Vulcânica de La Palma.

Na segunda-feira, registou-se uma diminuição da atividade da lava expelida pelos dois centros emissores, separados por cerca de 600 metros do cone principal do vulcão. Para Stavros Meletlidis, do grupo de vulcanologia do National Geographic Institute (IGN), "é preciso entender que o vulcão está a decorrer com o seu curso".

"É um fenómeno geológico, não se encaixa no nosso ritmo de vida. Para nós são coisas que parecem uma mudança repentina, mas estão dentro do que se espera", refere o responsável.

Stavros Meletlidis diz que "é preciso entender que o vulcão, dentro de um processo que nos destrói, também se autodestrói", exemplificando com o cone principal ou secundário que foi destruído na noite de domingo, podendo o vulcão construír amanhã um outro".

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