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Mulher terá conseguido eliminar o VIH do organismo sem fazer tratamento

Nacho Doce

O caso foi identificado na Argentina e traz esperança aos investigadores sobre a possibilidade de desenvolver um cura para a sida.

Uma mulher argentina terá conseguido eliminar o VIH do seu organismo. Esta situação é extremamente rara: até agora apenas duas pessoas no mundo tinham conseguido alcançar o que os investigadores chamam de "cura por esterilização". No entanto, neste caso, a paciente não foi submetida a qualquer tratamento. Esta descoberta traz esperança aos investigadores sobre a possibilidade de vir a desenvolver uma cura para a sida.

Consideram a paciente como uma rara “controladora elite” do VIH. Depois de oito anos com a doença, o organismo da mulher de 30 anos conseguiu derrotar o vírus sem ter sido submetido a qualquer tratamento regular para a infeção. As análise realizadas pelos investigadores a milhares de milhões de células da paciente mostram que não existe qualquer vestígio do vírus ativo no seu organismo.

O caso aconteceu na cidade de Esperanza, na Argentina, e foi reportado na revista científica Annals of Internal Medicine. A mulher terá conseguido uma “cura por esterilização” da infeção VIH, ou seja, o vírus foi eliminado sem que houvesse transplantação de células estaminais ou tenha sido aplicado qualquer outro tratamento.

Uma cura por esterilização de VIH foi observada anteriormente em apenas dois pacientes que receberam um transplante de medula óssea altamente tóxico”, explica Xu Yu, autora do estudo e investigadora no Ragon Institute of Massachusetts General Hospital, no MIT e em Harvard, à CNN. “O nosso estudo mostra que este tipo de cura pode ser atingida durante a infeção natural – na ausência do transplante de medula óssea (ou qualquer outro tipo de tratamento).”

A paciente argentina foi diagnosticada com VIH em março de 2013, tendo começado um tratamento antirretroviral em 2019, quando engravidou. Este tratamento foi mantido durante o segundo e terceiro trimestres, no entanto, depois de o bebé nascer – sem o vírus – a mãe parou a terapêutica.

As análises feitas às células da paciente mostram que houve uma infeção por VIH antes, mas agora não foram encontrados vírus intactos e capazes de se replicarem. Os investigadores identificaram sete provírus – uma forma de vírus que se integra no material genético da célula hospedeira – que estavam defeituosos.

“Exemplos de curas deste tipo que se desenvolvem naturalmente sugerem que os esforços atuais para encontrar uma cura para a infeção por VIH não são inatingíveis, e que as perspetivas de ter uma ‘geração livre da sida’ pode acabar por ter sucesso”, escreveu Yu, em resposta à CNN.

Os investigadores ainda não sabem de que forma o organismo da paciente conseguiu eliminar o vírus, mas acreditam que resulta de “uma combinação de diferentes mecanismos imunológicos”.

“Expandir o número de indivíduos com a possibilidade de cura por esterilização iria facilitar nossas descobertas sobre como os fatores imunológicos podem levar a esta cura por esterilização em populações mais amplas de indivíduos infetados por VIH”, acrescenta a investigadora.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, em 2020 37,7 milhões de pessoas viviam com VIH a nível mundial. Quando não tratado, o vírus pode provocar síndrome de imunodeficiência, também conhecido como sida, causando a morte ao paciente. No ano passado, perto de 690 mil pessoas morreram devido a esta doença.

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