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Xi Jinping avisa Biden para "não brincar com o fogo"

SARAH SILBIGER / POOL

Presidentes dos EUA e China conversaram longamente, mas mantêm desacordo sobre Taiwan e sem nada decidirem.

O Presidente da China e o Presidente dos EUA conversaram durante três horas e meia, mas permaneceram em desacordo sobre Taiwan e o Xi Jinping avisou mesmo Joe Biden a não "brincar com fogo" nesta questão.

Esta conversa por videoconferência decorreu na segunda-feira à noite em Washington, era terça-feira de manhã em Pequim. Foi uma conversa "respeitosa e franca" e "muito mais longa do que o esperado", de acordo com um alto funcionário dos EUA. Os dois líderes lembraram a necessidade de estabelecer "salvaguardas" para evitar que as suas muitas diferenças degenerem em conflito.

Mas também mantiveram as respetivas posições sobre várias disputas em questão, nomeadamente sobre Taiwan, comércio e direitos humanos.

"As autoridades taiwanesas tentaram repetidamente contar com os Estados Unidos para alcançarem a independência e algumas [forças políticas] nos Estados Unidos estão a tentar usar Taiwan para conter a China", observou Xi Jinping.

"É uma tendência muito perigosa, que equivale a brincar com o fogo", frisou o chefe de Estado chinês, de acordo com um comunicado emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.

Por seu lado, Biden advertiu que os Estados Unidos se "opõem firmemente" a qualquer "tentativa unilateral de mudar o status quo ou minar a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan", de acordo com um comunicado divulgado pela Casa Branca após a reunião.

O Presidente norte-americano reafirmou, recentemente, por duas vezes, o compromisso dos EUA em defender Taiwan, no caso de um ataque da China.

China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas. Pequim ameaça utilizar a força para travar a independência formal do território.

Xi defende desenvolvimento de relações "sãs e estáveis"

Xi Jinping afirmou que "China e Estados Unidos devem respeitar-se mutuamente, coexistir em paz, cooperar, gerir de forma apropriada os assuntos internos e assumir as suas responsabilidades internacionais", de acordo com a agência de notícias oficial chinesa Xinhua.

O Presidente chinês disse "estar preparado" para trabalhar com Joe Biden na hora de "construir consensos" e "dar passos" para recuperar as relações bilaterais.

Xinjiang, Tibete e Hong Kong e os Direitos Humanos

A relação entre a China e os Estados Unidos atravessa o pior momento em várias décadas, marcada por disputas comerciais e tecnológicas, direitos humanos ou o estatuto de Taiwan e do mar do Sul da China.

Funcionários chineses criticam frequentemente a Casa Branca por interferir no que consideram ser assuntos internos da China.

Joe Biden expressou as suas "preocupações sobre as práticas (da China) em Xinjiang, Tibete e Hong Kong, e os Direitos Humanos, no geral", referiu o comunicado da Casa Branca, acrescentando que Biden classificou como injustas as práticas comerciais e económicas da China.

Estas declarações contrastam com a cordialidade demonstrada no início da reunião, em que os dois homens se cumprimentaram, com um acenar de mãos, através dos ecrãs, de acordo com as imagens divulgadas.

Biden defendeu que a "competição entre os dois países não se deve transformar num conflito, seja de forma intencional ou não".

"A China e os Estado Unidos devem melhorar a comunicação e cooperação", frisou também Xi, que admitiu sentir-se feliz por voltar a ver o "velho amigo".

As duas conversas anteriores entre os líderes foram realizadas por telefone.

A chegada de Joe Biden ao poder alterou o tom agressivo na Casa Branca em relação ao país asiático, cultivado pelo antecessor no cargo Donald Trump, mas a relação bilateral continua extremamente tensa.

Reunião acabou sem nenhum anúncio importante ou até uma declaração conjunta

A Casa Branca estabeleceu baixas expectativas para a reunião, que acabou sem nenhum anúncio importante ou até uma declaração conjunta.

Ainda assim, funcionários da Casa Branca citados pela agência de notícias Associated Press disseram que os dois líderes mantiveram um diálogo significativo, abordando assuntos regionais importantes, como Coreia do Norte, Afeganistão e Irão.

O aumento das tensões ocorre também numa altura em que os dois líderes enfrentam desafios internos crescentes.

Biden enfrenta a persistente pandemia da covid-19, uma inflação galopante e problemas nas cadeias de fornecimento, pelo que procura agora o equilíbrio nas questões de política externa mais importantes que enfrenta.

Xi enfrenta o ressurgimento de surtos da covid-19 no país, uma grave crise energética e o colapso de algumas das maiores construtoras da China, que pode ter repercussões nos mercados globais.

"A China e os Estados Unidos estão em estágios críticos de desenvolvimento e a humanidade vive numa aldeia global, pelo que enfrentamos vários desafios juntos", disse Xi.

Secretário de Estado Antony Blinken e secretária do Tesouro Janet Yellen na reunião virtual com o Presidente Chinês e Joe Biden

Secretário de Estado Antony Blinken e secretária do Tesouro Janet Yellen na reunião virtual com o Presidente Chinês e Joe Biden

SARAH SILBIGER / POOL

O Presidente dos Estados Unidos estava acompanhado, na sala Roosevelt, pelo Secretário de Estado, Antony Blinken, e vários assessores.

Por sua vez, Xi Jinping estava acompanhado, no salão Leste do Grande Palácio do Povo, pelo diretor do Gabinete do Partido Comunista Ding Xuexiang e vários conselheiros.

Biden teria preferido reunir-se com Xi pessoalmente, mas o líder chinês não sai da China desde o início da pandemia da covid-19. A Casa Branca propôs uma reunião virtual como a segunda melhor opção para permitir uma conversa franca entre os dois líderes sobre uma ampla gama de tensões no relacionamento.

Xi disse a Biden que, embora fosse bom vê-lo, uma reunião virtual não era "tão boa quanto uma reunião frente a frente".

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