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No Reino Unido está "mais quente dentro de casa do que na rua”

No Reino Unido está "mais quente dentro de casa do que na rua”
Anadolu Agency

A SIC Notícias falou com portugueses que enfrentam o calor extremo em diferentes zonas do país.

Num país onde o verão costuma ser bastante chuvoso, o calor extremo que atingiu o Reino Unido torna-se uma surpresa desagradável. As autoridades decretaram alerta vermelho pela primeira vez, emitindo recomendações à população britânica para que não saiam à rua a menos que seja necessário. Num país adaptado ao frio, nem em casa se está bem.

André Fonseca e Sara Santos, ambos de 28 anos, vivem em Londres há cerca de cinco anos e garantem que o país não está preparado para enfrentar esta onda de calor. Já passaram outros verões, mas nunca tinham “experienciado temperaturas tão altas no Reino Unido”.

“O Reino Unido é um país que está habituado a lidar com o frio e a chuva, não com o calor. As casas estão isoladas no sentido de manter o calor cá dentro o máximo possível, mas também cria um bocado efeito de estufa. Agora no verão é muito difícil manter a casa fresca, temos de deixar as janelas sempre abertas. Quando chegam estas ondas de calor é impossível estar dentro de casa, seja com as persianas abertas ou fechadas”, conta o casal.

Enfermeira numa unidade de cuidados intensivos num hospital em Londres, Sara Santos tem de se deslocar para o seu local de trabalho. Os transportes públicos estão a funcionar, mas podem haver atrasos ou interrupções devido ao calor extremo. Sublinha que “as estruturas no país não estão preparadas para lidar com o calor”, o que fez com que, esta segunda-feira, fosse “muito difícil, não só para os profissionais de saúde como para os utentes, lidar com o calor”.

Por outro lado, André Fonseca, programador de videojogos, trabalha a partir de casa, não tendo opção de ir trabalhar para o escritório. Na casa onde vive não tem ar condicionado ou uma ventoinha, o que torna difícil o período laboral.

“A minha empresa, para além de dar bastantes recomendações às pessoas para terem cuidado, para evitarem as horas de maior calor e para se hidratarem, também disseram, que nestes dias, podíamos fazer horários mais flexíveis e quem quisesse podia trabalhar mais cedo ou à noite, para tentar evitar as horas de maior calor”, conta.

Tiago Martins Andrade, de 31 anos, é investigador na área da realidade virtual e vive na cidade costeira de Ipswich, no leste do país. “Na noite desta segunda-feira estiveram 25ºC, o que não é normal para esta zona”, conta. “Temos as janelas abertas e não dá. Está mais quente dentro de casa do que na rua.”

“As recomendações dadas foram para estar dentro de casa, para estar mais fresco, não apanhar sol diretamente porque os raios UV estão a um nível muito alto. No trabalho da minha namorada disseram que quem quisesse podia ir para o escritório porque o ar condicionado estava ativo, mas acho que ninguém foi”, acrescenta.

Durante o dia, durante o teletrabalho, ouviu várias vezes os bombeiros a circular perto de sua casa e reporta que num parque da cidade estava a decorrer um incêndio. Com o país em alerta vermelho, Tiago Martins Andrade vai seguindo as notícias pela BBC ou pelo rádio.

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