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"Querem retirar-nos o cadáver do nosso pai": Tchizé dos Santos avança com recurso

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A filha do ex-Presidente angolano não se conforta com a decisão do tribunal espanhol.

O tribunal espanhol decidiu atribuir a custódia do cadáver do ex-Presidente de Angola à ex-mulher Ana Paula dos Santos. Tchizé dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos, informou desde logo que iria recorrer desta decisão e, esta quinta-feira, veio a público acusar Ana Paula dos Santos de abandonar o pai.

"Essa senhora, Ana Paula dos Santos, nos últimos cinco anos, não conviveu nem privou com o José Eduardo dos Santos. Em cinco anos viu-o dois meses, os últimos dois meses em que veio, inclusive o senhor morreu logo. Hoje essas pessoas querem perseguir o cadáver de José Eduardo dos Santos, querem retirar aos filhos que cuidaram dele, que estiveram ao lado dele, em todos os momentos, que lutámos por ele, querem retirar-nos o cadáver do nosso pai"

A filha do ex-Presidente angolano garante que os seus advogados estão "a fazer de tudo" e a lutar "para recorrer na vara civil" da decisão do tribunal espanhol.

O juiz que decidiu entregar os restos de Eduardo dos Santos à viúva argumentou que Ana Paula dos Santos tem preferência sobre os filhos na disputa pelo cadáver e confirmou definitivamente a morte por causas naturais.

Nessa decisão, o juiz Francisco Collado explica que só agora foi possível deliberar sobre a quem entregar os restos mortais do antigo Presidente angolano porque só agora ficou definitivamente provado que "o relatório confirma as conclusões preliminares do relatório de autópsia com data de 9 de julho, que assim passam a definitivas".

Depois do esclarecimento sobre a demora de mais de um mês na decisão, o juiz explica porque deu razão à antiga mulher de José Eduardo dos Santos, que pretende fazer o funeral em Luanda, e não a Tchizé dos Santos, que escolheu Barcelona para enterrar os restos mortais do pai, argumentando com a vontade expressa em vida.

"Havendo uns filhos que querem a entrega dos restos à mãe e esposa não separada legalmente, e outros filhos que querem a entrega a uma filha do primeiro casamento, não pode ser o termo genérico da vontade do filho a prevalecer, já que os filhos estão divididos", afirma Francisco Collado na deliberação.

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