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ONU lembra Bolsonaro que deve respeitar os outros poderes do Estado

ONU lembra Bolsonaro que deve respeitar os outros poderes do Estado
Eraldo Peres
Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos referia-se a comentários agressivos de Jair Bolsonaro.

Os presidentes devem respeitar os outros poderes do estado e abster-se de promover ataques contra eles, afirmou Michelle Bachelet, Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, referindo-se a comentários agressivos de Jair Bolsonaro.

A crítica de Bachelet foi dirigida ao facto de o Presidente brasileiro ter colocado em causa o sistema judicial e o sistema de votação eletrónica, em funcionamento desde meados da década de 1990, no contexto das eleições presidenciais no Brasil, convocadas para 2 de outubro.

O pior é que ele pediu aos seus apoiantes que protestassem contra as instituições judiciais no próximo dia 7 de setembro, data em que o Brasil celebra 200 anos de independência. Isto levou os partidos a adiarem as iniciativas de campanha previstas para esse dia e a deslocá-las para dia 10, para evitar confrontos.

Um Presidente pode discordar das decisões de outros poderes do Estado, mas é obrigado a respeitá-las e a expressar as suas próprias opiniões de forma respeitosa, sublinhou ainda Bachelet.

Não devemos fazer comentários que possam aumentar a violência ou o ódio contra as instituições democráticas (...), não devemos enfraquecê-las com discursos políticos.

Neste contexto, destacou o direito do povo brasileiro a sentir-se seguro no ato de votar.

Aumento da violência política no Brasil

A alta-comissária considerou ainda "preocupantes" os relatos de aumento da violência política no Brasil, racismo estrutural persistente e a perda do espaço de ação da sociedade civil, denunciando os ataques contra deputados e candidatos, particularmente os de origem africana, mulheres e comunidade LGBT.

Os comentários de Bachelet foram recolhidos numa conferência de imprensa em Genebra, na qual a ex-chefe de Estado chilena fez o balanço do seu mandato à frente da agência das Nações Unidas para a defesa dos Direitos Humanos, que terminará em 31 de maio, durante a qual analisou situações preocupantes dentro da sua área de intervenção em diferentes partes do mundo.

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