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De Putin a Guterres: como o mundo relembra Gorbachev

De Putin a Guterres: como o mundo relembra Gorbachev
Bryn Colton
As primeiras reações à morte do antigo líder da União Soviética.

Os líderes mundiais começaram já a reagir à morte de Mikhail Gorbachev, o último líder da União Soviética, que faleceu esta terça-feira aos 91 anos. Da Rússia chega uma mensagem curta, enquanto que do Ocidente se relembra o “defensor incansável da paz”.

Vladimir Putin manifestou “profunda tristeza”, numa curta mensagem divulgada pelo porta-voz do Kremlin, onde fez saber também que enviará um telegrama de condolências à família.

No Ocidente, as reações alongam-se, começando pelo secretário-geral da ONU. António Guterres lamenta a perda de um “líder global imponente, multilateralista comprometido e defensor incansável da paz”.

Em comunicado, afirma-se “profundamente triste” com a morte do “estadista único que mudou o curso da história”, não poupando elogios ao papel de Gorbachev para pôr fim à Guerra Fria de forma pacífica.

Guterres fez ainda questão de mencionar o desafio que o ex-líder da URSS abraçou nos últimos anos, ao fundar a Cruz Verde Internacional, com o objetivo de "criar um futuro sustentável cultivando relações harmoniosas entre os seres humanos e o meio ambiente".

O ex-primeiro-ministro e antigo presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, recordou o político russo como “principalmente uma pessoa decente, com uma boa intenção” e contou que se encontrou várias vezes com Gorbachev, a primeira vez enquanto presidente da Comissão Europeia em Moscovo.

“Depois, encontrámo-nos várias vezes em circuitos de antigos Prémios Nobel da Paz. Obviamente não recebi nunca um em nome individual, mas recebi em nome da União Europeia e há uma rede de vencedores destes prémios”.

Elogios partilhados pela presidente da Comissão Europeia, que recordou um “líder confiável e respeitado”. Numa mensagem no Twitter, Ursula von der Leyen sublinhou ainda o legado inesquecível e o “papel crucial” para o fim da Cortina de Ferro.

No Reino Unido, o primeiro-ministro demissionário manifestou admiração pela "coragem e integridade". Boris Johnson fez questão de dizer que “numa época de agressão de Putin na Ucrânia, o incansável compromisso [de Gorbachev] com a abertura da sociedade soviética continua a ser um exemplo para todos nós”.

Por terras lusas, também o presidente da Assembleia da República reagiu no Twitter. Augusto Santos Silva homenageou o estadista russo, destacando o papel “essencial” para a transição democrática no leste da Europa.

Luís Montenegro, declarou que o antigo líder soviético Mikhail Gorbachev "derrubou muros, construiu paz e abriu a liberdade a milhões de pessoas. Com ele não tínhamos hoje guerra na Ucrânia", declarou na rede social Twitter.

"A História reserva-lhe uma página de honra. O mundo, como nós, deve-lhe respeito e gratidão", lê-se ainda na publicação

Homenagem a que se juntaram o eurodeputado do PSD, Paulo Rangel, e o ex-presidente do partido, Rui Rio, ao “protagonista controverso” que pôs fim “a um dos regimes mais funestos da história”, trabalho pelo qual o mundo ocidental “tem de estar eternamente grato”.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, prestou também homenagem ao ex-líder da União Soviética, elogiando o “compromisso com a paz na Europa” que mudou "a história comum".

"As minhas condolências pela morte de Mikhail Gorbachev, um homem de paz cujas escolhas abriram um caminho para a liberdade para os russos", escreveu o chefe de Estado francês no Twitter.

Mikhail Gorbachev morreu esta terça-feira aos 91 anos, vítima de doença prolongada.

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