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Dois drones marítimos dos EUA apreendidos pelo Irão

Dois drones marítimos dos EUA apreendidos pelo Irão
Iranian state television/AP
Marinheiros do navio contratorpedeiro da Marinha iraniana Jamaran encontraram o que pareciam ser duas sondas marítimas não-tripuladas.

O Irão indicou esta sexta-feira que a sua Marinha apreendeu dois drones marítimos dos Estados Unidos no mar Vermelho, libertando-os seguidamente, no mais recente incidente marítimo envolvendo a nova frota destes aparelhos não tripulados no Médio Oriente.

O comandante Timothy Hawkins, um porta-voz da 5.ª Frota da Marinha estacionada no Médio Oriente, reconheceu esta sexta-feira o incidente, em declarações à agência de notícias norte-americana Associated Press (AP), mas escusou-se a fornecer mais pormenores.

A televisão estatal iraniana transmitiu imagens que afirmou terem sido captadas do convés do navio contratorpedeiro da Marinha iraniana Jamaran, onde marinheiros que usavam coletes salva-vidas examinavam o que pareciam ser duas sondas marítimas não-tripuladas. Atiraram uma delas borda fora enquanto se via, à distância, outro navio de guerra.

Segundo a televisão estatal iraniana, a Marinha encontrou "vários aparelhos de espionagem marítima não tripulados, abandonados nas rotas marítimas internacionais" na quinta-feira.

"Após dois avisos ao contratorpedeiro norte-americano para impedir eventuais incidentes, o Jamaran apreendeu os dois aparelhos marítimos (…) Depois de garantir a segurança das águas marítimas internacionais, o Esquadrão Naval N.º84 libertou os aparelhos marítimos numa área segura", noticiou a estação televisiva.

Este foi o segundo incidente do género nos últimos dias, enquanto as negociações sobre o acordo nuclear de Teerão com as potências internacionais não chegaram ainda a bom porto. O primeiro incidente envolveu a Guarda Revolucionária paramilitar iraniana, não a sua Marinha regular, e ocorreu no Golfo Pérsico.

A área pela qual é responsável a 5.ª Frota, que lançou no ano passado a sua Missão Não Tripulada 59, inclui o Estreito de Ormuz - estreita foz do Golfo Pérsico por onde passam 20% de todo o petróleo mundial. Também se estende até ao ponto em que o mar Vermelho se aproxima do Canal do Suez, a via navegável do Egito que conduz ao mar Mediterrâneo, e ao Estreito Bab el-Mandeb, ao largo do Iémen, uma região que tem sido palco de uma série de ataques marítimos nos últimos anos.

Ao largo do Iémen, barcos drone carregados de bombas e minas deixados à deriva pelos rebeldes iemenitas Huthis têm danificado embarcações durante a guerra há anos em curso naquele país. Perto dos Emirados Árabes Unidos e do Estreito de Ormuz, petroleiros têm sido apreendidos pelas forças iranianas, que apoiam os Huthis, e outros têm sido atacados em incidentes de que a Marinha norte-americana culpa o Irão.

Tais ataques começaram um ano após a decisão, em 2018, do ex-Presidente norte-americano, Donald Trump, de retirar os Estados Unidos do acordo nuclear, assinado em 2015 por Teerão, com o país e cinco outras potências (Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha), nos termos do qual foram levantadas sanções económicas ao Irão em troca de este reduzir drasticamente o seu processo de enriquecimento de urânio.

Quando Washington voltou a impor sanções, Teerão afastou-se gradualmente dos compromissos assumidos no âmbito desse acordo, cujas negociações para o repor decorrem há 16 meses ainda sem resultados. Os Estados Unidos lançaram esta sexta-feira dúvidas sobre a mais recente resposta escrita do Irão às conversações, por parecer ainda querer renegociar o que deveria ser a versão final do texto do acordo.

O Irão está agora a enriquecer urânio em quantidades mais próximas das necessárias à produção de armas nucleares, enquanto os governantes sugerem que Teerão poderá construir uma bomba atómica se assim o desejar, embora mantenham que o seu programa nuclear é pacífico.

Já os países ocidentais e os inspetores internacionais afirmam que, até 2003, Teerão teve um programa nuclear militar.

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