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Cheias no Paquistão: EUA envia dois aviões com toneladas de ajuda humanitária

Cheias no Paquistão: EUA envia dois aviões com toneladas de ajuda humanitária
AAMIR QURESHI
Quase 1.400 pessoas morreram, 13 mil ficaram feridas e milhões ficaram sem casa devido às fortes cheias que assolam o país desde meados de junho.

Mais dois aviões militares norte-americanos com toneladas de ajuda humanitária para os paquistaneses afetados pelas cheias provocadas pelas monções aterraram hoje na província de Sindh, uma das mais afetadas no país, adiantou a Associated Press (AP).

Saif Ullah, porta-voz da Autoridade de Aviação Civil do Paquistão, disse que cada avião estava carregado com cerca de 35 toneladas de ajuda humanitária para ser distribuída na província pelo Programa Alimentar Mundial, das Nações Unidas.

O avião aterrou no aeroporto Sukkur, em Sindh, tendo Ullah adiantado que a operação de auxílio norte-americana que começou na quinta-feira vai estender-se até dia 16 de setembro.

O Paquistão tem sofrido condições meteorológicas severas, com as chuvas das monções a começarem cedo este ano, ainda em meados de junho, tendo muitos responsáveis e peritos culpado as alterações climáticas pelas chuvas e consequentes cheias.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu na passada semana ao mundo para acordar para a perigosa crise ambiental, tendo repetidamente apelado à comunidade internacional para o envio massivo de ajuda humanitária para o Paquistão.

Ullah disse hoje que mais dois voos de transporte de bens dos Emirados Árabes Unidos aterraram no aeroporto de Carachi.

Até ao momento, a ONU e vários países enviaram múltiplos carregamentos de ajuda, tendo as autoridades paquistanesas afirmado que os Emirados Árabes Unidos se encontram entre os doadores mais generosos.

Quase 1.400 pessoas morreram, 13 mil ficaram feridas e milhões ficaram sem casa devido às fortes cheias que assolam o país desde meados de junho, tendo as águas destruído estradas e infraestruturas de comunicações.

Na província de Sindh, a mais afetada, 621 pessoas, incluindo 270 crianças, morreram e 8.400 pessoas ficaram feridas.

Quilómetros de plantações de algodão, cana de açúcar, bananas e vegetais ficaram submersos pelas cheias. Milhares de casas de tijolo e barro desabaram devido ao dilúvio, deixando as pessoas sem-abrigo e obrigadas a refugiarem-se em tendas ao longo das estradas destruídas.

Segundo o relatório mais recente das autoridades, as monções sem precedentes destruíram mais de 1,5 milhões de casas, 63 pontes, 2.688 quilómetros de estradas e quase meio milhão de animais morreram afogados na província de Sindh.

O chefe das Forças Armadas do Paquistão, o general Qamar Jawed Bajwa, visitou o distrito de Dadu em Sindh, no sábado, em risco de sofrer com novas cheias, devido à subida do nível das águas do rio Indus.

“As pessoas vão continuar a sofrer se não tivermos um sistema de drenagem e barragens”, disse Bajwa aos jornalistas.

O general disse que a construção de barragens iria ajudar a produzir eletricidade, a reduzir a poluição e a combater o aquecimento global, tendo os engenheiros do exército recebido a solicitação para iniciarem estudos.

Bajwa disse que trabalhar em fontes de energia alternativas é essencial e apelou a uma redução gradual do uso de petróleo e carvão como fontes de energia a níveis mínimos.

As monções e cheias deste ano no Paquistão mostraram como é desproporcional o efeito das alterações climáticas nas pessoas mais pobres.

Os peritos dizem que o Paquistão é responsável por apenas 0,4% das emissões poluentes responsáveis pelas alterações climáticas, comparando com 21,5% dos EUA, 16,5% da China e 15% da União Europeia, refere a AP.

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