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Arménia e Azerbaijão trocam acusações perante o Conselho de Segurança da ONU

Arménia e Azerbaijão trocam acusações perante o Conselho de Segurança da ONU
KAREN MINASYAN
A escalada de tensão na fronteira região de Nagorno-Kharabak ameaça comprometer um frágil processo de paz entre os dois países.

A Arménia e o Azerbaijão acusaram-se esta quinta-feira mutuamente no Conselho de Segurança da ONU pela responsabilidade dos violentos confrontos nos últimos dias junto à fronteira comum. A ONU indica não conseguir verificar as alegações das duas partes.

"Esta agressão é a resposta do Azerbaijão aos esforços de mediação da comunidade internacional", denunciou o embaixador arménio na ONU, Mher Margaryan, ao considerar que através destes "atos de agressão", Baku "optou por uma solução militar do conflito".

"Recebemos informações pelas quais o frágil cessar-fogo está ameaçado", acrescentou, acusando o Azerbaijão de "preparar uma nova ofensiva militar".

O cessar-fogo anunciado pela Rússia, mediador tradicional nesta região, estava a ser respeitado na manha desta quinta-feira na fronteira comum após dois dias de confrontos que provocaram mais de 170 mortos. Uma escalada inédita desde 2020 ameaça comprometer um frágil processo de paz entre os dois países rivais do Cáucaso do sul.

O embaixador azeri na ONU, Yashar Teymur oglu Aliyev, rejeitou todas as "alegações" da Arménia, e acusou Erevan de pretender "torpedear o frágil processo de normalização pós-conflito".

Estas acusações, assentes em "invenções, deformações e falsificações demonstram que a Arménia está longe de respeitar as suas obrigações internacionais", acrescentou.

A ONU, sem a presença de observadores no terreno, indicou por sua vez não poder confirmar ou negar estas acusações mútuas.

"Os dois países escreveram ao secretário-geral e ao Conselho de Segurança para denunciar as violações do cessar-fogo concluído em 2020 sob a égide da Rússia, e as violações do seu território", assinalou Miroslav Jenca, secretário-geral adjunto responsável pela Europa e Ásia central.

"As Nações Unidas não estão em condições de verificar ou confirmar estas informações", indicou. "Os acontecimentos desta semana constituem um efetivo alerta de que as tensões entre a Arménia e o Azerbaijão têm o potencial de desestabilizar a região", acrescentou.

Após saudarem o regresso do cessar-fogo, diversos membros do Conselho de Segurança, apelaram ao diálogo. No decurso da reunião, o representante da ONU também informou que a Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC, uma aliança militar euro-asiática promovida pela Rússia) vai enviar uma missão à Arménia para avaliar a situação na fronteira e informar os seus Estados-membros, após um pedido da Arménia nesse sentido.

Porque lutam a Arménia e o Azerbaijão?

A Arménia e o Azerbaijão declararam a independência em 1991 e o início do conflito, que se agudizou nos últimos meses, centrou-se em torno do enclave do Nagorno-Kharabak. A região, localizada em território azeri, é atualmente habitada quase exclusivamente por arménios (cristãos ortodoxos) e declarou a independência do Azerbaijão muçulmano após uma guerra no início da década de 1990, que provocou cerca de 30.000 mortos e centenas de milhares de refugiados.

Na sequência dessa guerra, foi assinado um cessar-fogo em 1994 e aceite a mediação do Grupo de Minsk (Rússia, França e Estados Unidos), constituído no seio da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), mas as escaramuças armadas continuaram a ser frequentes, e implicaram importantes confrontos em 2018.

Rússia foi um dos mediadores do cessar-fogo entre a Arménia e o Azerbaijão
Mikhail Klimentyev

Cerca de dois anos depois, no outono de 2020, a Arménia e o Azerbaijão enfrentaram-se durante seis semanas pelo controlo do Nagorno-Karabakh durante uma nova guerra que provocou 6.500 mortos e com uma pesada derrota arménia, que perdeu uma parte importante dos territórios que controlava há três décadas.

Após a assinatura de um acordo sob mediação russa, o Azerbaijão, apoiado militarmente pela Turquia, registou importantes ganhos territoriais e Moscovo enviou uma força de paz de 2.000 soldados para a região do Nagorno-Karabakh.

Apesar do tímido desanuviamento diplomático, os incidentes armados permaneceram frequentes na zona ou ao longo da fronteira oficial entre os dois países.

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