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"A Rússia não tem culpa de nada é um discurso muito perigoso"

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O comentador José Milhazes considera que “o patamar de agressividade subiu muito” no discurso do Presidente russo.

O Presidente da Rússia voltou a ser, esta sexta-feira, o protagonista da atualidade mundial. No discurso na cerimónia, que assinalou a anexação de quatro regiões ucranianas, Vladimir Putin afirmou que “milhões de pessoas tomaram uma decisão inequívoca e votaram para o restabelecimento da pátria”.

Além das várias acusações ao Ocidente, em particular aos EUA, o líder russo mostrou-se disponível a sentar-se à mesa das negociações. Na antena da SIC a acompanhar este discurso esteve o comentador José Milhazes, que destaca sete ideias principais que Putin quis transmitir.

O regresso dos quatro “territórios à casa mãe” e a "justiça histórica este ato" - agradecendo “a confiança dos povos das repúblicas separatistas”; a ideia de que os “russos devem unir-se perante o inimigo”, a “provocação dos EUA” que foi o ataque aos gasodutos, “contra a Rússia combate a Nato”, e recuperou que está a ser combatido o “regime nazi de Kiev”.

“Fundamentalmente foi uma tentativa de juntar o povo russo, ou os povos da Rússia, contra o inimigo que é o Ocidente. Ele [Putin] gosta muito de citar um filósofo russo, Ivan Ilyin, que fugiu da revolução comunista para a Europa e apoiou abertamente [os ditadores] Hitler e Mussolini. É esse homem que ele está a citar, agora tirem as conclusões deste grande patriota que defendeu tropas, defendeu políticos que invadiram a pátria dele. Nesta imagem se resume toda a hipocrisia do discurso de Putin”.

Questionado sobre as fortes acusações ao Ocidente e designadamente aos EUA, José Milhazes afirma com ironia: “Tudo o que acontece neste momento é culpa dos outros, a Rússia não tem culpa de nada. São os ocidentais, os europeus, a Nato, penso que é um discurso muito perigoso”.

O comentador da SIC destaca ainda que “o patamar de agressividade subiu muito neste discurso”, com Putin a “queimar pontes”, só restou uma e vale de pouco.

“[Putin] apenas deixa [no discurso desta sexta-feira] uma pequena ponte e é fictícia, que é a ideia de que ‘estamos prontos a conversações’, mas atenção não incluem estas [quatro] regiões. E isto são conversações à Putin. E é com isto que vamos ter de operar durante as próximas semanas, ver esta agressividade passar para o terreno, ele [Putin] tenta levar esta imagem agressiva aos militares para eles conseguirem derrotar os ucranianos e a Ucrânia”.

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