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Nobel da Física atribuído a Alain Aspect, John F. Clauser e Anton Zeilinger

Nobel da Física atribuído a Alain Aspect, John F. Clauser e Anton Zeilinger
TT NEWS AGENCY

Galardão partilhado por três físicos pelos trabalhos sobre mecânica quântica.

O prémio Nobel da Física foi hoje atribuído ao francês Alain Aspect, ao norte-americano John F. Clauser e ao austríaco Anton Zeilinger pelos trabalhos em mecânica quântica, anunciou o secretário-geral da Real Academia Sueca de Ciências, Hans Ellegren, no Instituto Karolinska em Estocolmo.

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Os três investigadores, pioneiros do estudo dos mecanismos revolucionários da física quântica, foram distinguidos foram distinguidos pelas suas descobertas sobre o "emaranhado quântico", mecanismo onde duas partículas quânticas estão perfeitamente correlacionadas, qualquer que seja a distância que as separa, anunciou o júri do Nobel.

A demonstração dessa surpreendente propriedade abriu caminho a novas tecnologias em computação quântica e comunicações ultrasseguras, bem como sensores quânticos ultrassensíveis que permitem medições extremamente precisas, como a da gravidade no espaço.

Essa mecânica complexa foi prevista pela teoria quântica. No entanto, nem mesmo Albert Einstein acreditou: duas partículas unidas no início - como dois gémeos - podem guardar as marcas do seu passado comum e comportar-se de maneira semelhante, mesmo à distância.

"A ciência da informação quântica é um campo vibrante e em rápido desenvolvimento", disse Eva Olsson, membro do comité Nobel, explicando que “tem implicações amplas e potenciais em áreas como a transferência segura de informação (encriptação de dados), a computação quântica e a tecnologia de deteção".

Eva Olson adiantou que enquanto os físicos muitas vezes abordam problemas que parecem à primeira vista estar longe das preocupações do dia-a-dia - partículas minúsculas e os vastos mistérios do espaço e do tempo - a sua pesquisa fornece as bases para muitas aplicações práticas da ciência.

Temporada Nobel 2022

Este é o segundo dos Nobel a ser anunciado este ano. Ontem, segunda-feira, foi entregue o da Medicina ao sueco Svante Pääbo.

Amanhã, quarta-feira, é entregue o da Química.

Na quinta-feira, dia 6 de outubro, será atribuído o Nobel da Literatura e na sexta-feira será conhecido o nome do novo Nobel da Paz.

O último anúncio será feito no dia 10 de outubro com o vencedor do Nobel da Economia.

O prémio consiste numa medalha, um diploma e dez milhões de coroas suecas (mais de 953.000 euros).

Curiosidades sobre os Prémios Nobel

Os prémios Nobel nasceram da vontade do cientista e industrial sueco Alfred Nobel (1833-1896) em legar grande parte de sua fortuna a pessoas que trabalhem para “o benefício da humanidade”.

Um erro na origem dos prémios?

Em 12 de abril de 1888, o irmão mais velho de Alfred Nobel, Ludvig, morreu em Cannes, França. Mas o Le Figaro engana-se e anuncia na primeira página a morte de Alfred: "Um homem que dificilmente pode ser considerado um benfeitor da humanidade morreu ontem em Cannes. O senhor Nobel, inventor da dinamite".

Este obituário prematuro terá atormentado Alfred Nobel e terá sido a razão para a criação dos prémios. Talvez por isso Nobel tenha escrito que os prémios distinguiriam aqueles que trabalharam “em benefício da humanidade”.

Prémio apenas para pessoas vivas

Desde 1974, os estatutos da Fundação Nobel estipulam que um prémio não pode ser concedido postumamente, a menos que a morte ocorra após o anúncio do nome do vencedor.

Até então, apenas duas personalidades falecidas foram recompensadas: o poeta sueco Erik Axel Karlfeldt (literatura em 1931) e o secretário-geral da ONU Dag Hammarskjöld, que foi assassinado (Nobel da Paz em 1961).

Uma vez o Nobel não foi concedido em homenagem a um vencedor falecido. Foi em 1948, após a morte de Gandhi.

Uma fortuna em troca de uma medalha Nobel

Os Prémios Nobel consistem numa soma de dez milhões de coroas por categoria (cerca de 900.000 euros) e uma medalha de ouro de 18 quilates.

Mas o vencedor do Nobel da Paz de 2021, o jornalista russo Dmitry Muratov, conseguiu transformar ouro em fortuna, em benefício das crianças ucranianas. Em junho, a medalha de 196 gramas recebida pelo co-vencedor de 2021 foi vendida por 103,5 milhões de dólares a um filantropo anónimo, valor que foi doado à UNICEF.

Um Nobel pioneiro em 1903 sobre o aquecimento global

O físico e químico sueco Svante Arrhenius recebeu o Nobel da Química em 1903 pela sua "teoria eletrolítica da dissociação".

Mas foi outro trabalho que lhe valeu o estatuto de pioneiro: no final do século XIX, foi o primeiro a teorizar que a combustão de combustíveis fósseis - na época, especialmente o carvão - lançava CO2 para a atmosfera causando o aquecimento do planeta. Segundo os seus cálculos, a duplicação da concentração de dióxido de carbono aqueceria o planeta em 5°C - os modelos modernos preveem de 2,6 a 3,9°C. Longe de suspeitar as quantidades cada vez maiores de combustíveis fósseis que a humanidade viria a consumir, Arrhenius subestimou a velocidade a que esse nível será alcançado e previu que esse aquecimento ocorreria em 3.000 anos.

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