Mundo

Quais são os nomes apontados para o lugar de Liz Truss? Boris Johnson é um deles

Quais são os nomes apontados para o lugar de Liz Truss? Boris Johnson é um deles
Alberto Pezzali
Após a saída da primeira-ministra britânica, já estão a ser apontados vários nomes para a sucessão, entre eles o de Boris Johson. E data para eleições? Sim, é o dia 28 que está a ser falado.

O sucessor de Liz Truss na liderança do Partido Conservador e do Governo britânico deverá ser conhecido até 28 de outubro, anunciou o responsável pela eleição interna, Graham Brady.

"Falei com o presidente do partido, Jake Berry, e ele confirmou que será possível realizar uma votação e concluir a eleição sobre a liderança até sexta-feira, 28 de outubro”, disse o presidente do chamado Comité 1922, conselho dos deputados conservadores que organiza as eleições para a liderança dos tories (membro do Partido Conservador)..

O objetivo, acrescentou, é "ter um novo líder a postos antes da declaração oficial que terá lugar até 31 de outubro”.

Brady disse que pretende dar mais detalhes sobre o processo esta quinta-feira à tarde, indicando que os militantes serão consultados se existirem pelo menos dois candidatos finalistas, mas que o processo pode ser encurtado se houver consenso sobre um nome.

"Se houver apenas um candidato, há apenas um candidato”, disse.

Mas o que é que isto significa na prática? O presidente do Comité 1922 explica as três opções que parecem as mais prováveis.

1. Os parlamentares escolhem um líder e os membros têm a possibilidade de aprová-lo numa votação imediata. Os deputados podem escolher o novo líder e esse pode começar a formar um gabinete, enquanto aguarda a confirmação ao cargo por votação dos membros. Poderá parecer inútil, mas Charles Moore, antigo editor do Telegraph argumentou que valeria a pena.

"Tanto no partido parlamentar quanto na base, devem realizar uma votação para a única pessoa escolhida. De seguida, os deputados teria de dar o seu claro apoio pessoal. Alguns opõem-se a esta ideia, perguntando: 'Mas e se acontecer muitas pessoas não votarem em X escolhido'' Receio que a resposta seja: 'Bem, se é assim, sabe que tem um grupo que não pode ser liderado. Nesse caso, adeus".

2. Os membros escolhem um líder a partir de uma lista restrita apontada pelos deputados, mas muito rapidamente. Talvez seja possível com a votação online. Ainda é difícil ver como isso pode ser feito até à próxima semana e os parlamentares temem que esse sistema possa lançar outro líder que não tenha o apoio da maioria dos parlamentares.

2. Os deputados apenas escolhem o líder com os membros, não tendo nenhuma palavra a dizer. Sob as regras do Partido Conservador, os membros devem eleger o líder de uma lista de dois. Mas se os parlamentares pudessem forçar todos os candidatos a aceitar o veredicto dos deputados, de modo que o segundo colocado renunciasse ao direito e levá-lo aos membros, os membros poderiam ser excluídos. Brady indicou que o partido não quer isso. Os conservadores esperam que um único candidato de "unidade" pudesse surgir.


JÁ SE CONHECEM POSSÍVEIS SUCESSORES?

Com a demissão de Liz Truss resta saber quem são os favoritos à liderança e quem poderá suceder a Liz Truss. Começa a corrida contra o tempo e com uma questão em mente: Estará traçado o regresso de Boris Johnson?

De acordo com a BBC, que cita um site de apostas online, o Oddschercher, o favorito à corrida é Rishi Sunak, o rival de Liz Truss nas últimas eleições do partido.

A certa altura visto como delfim de Boris Johnson, Rishi Sunak foi dos primeiros a 'saltar do barco', poucos minutos depois do ministro Sajid Javid demitir-se.

O ex-banqueiro de 42 anos tem a seu favor o facto de ser uma figura da ortodoxia orçamental.

Durante a campanha, não parou de repetir que as reduções de impostos não financiadas corriam o risco de agravar a inflação até um nível recorde em décadas e de minar a confiança dos mercados.

Os factos deram-lhe razão, mas tem uma grande desvantagem: são muitos os apoiantes do ex-primeiro-ministro Boris Johnson que o veem como um traidor, cuja demissão, no início do verão, precipitou a queda do antigo inquilino de Downing Street.

Em segundo lugar surge Penny Mordaut, foi nomeada presidente do Conselho e Líder da Câmara dos Comuns, em 6 de setembro de 2022. Anteriormente, tinha sido ministra de Estado no Departamento de Comércio Internacional de 16 de setembro de 2021 a 6 de setembro de 2022.

Também ela candidata contra Liz Truss para suceder a Boris Johnson na chefia do Governo britânico este verão, a ministra encarregada das relações com o Parlamento era a favorita dos militantes conservadores no início da campanha.

Distinguiu-se no Parlamento na segunda-feira, em substituição de Liz Truss perante a oposição, defendendo com confiança a mudança de rumo económico e explicando que a primeira-ministra “não está escondida debaixo da secretária”.

Entre os favoritos na última campanha para a liderança do Partido Conservador, o ministro da Defesa, Ben Wallace, que tinha decidido não se candidatar para se dedicar à segurança do Reino Unido, viu o seu nome surgir novamente nos últimos dias como uma possível figura em torno da qual o partido poderá unir-se.

A ministra do Interior que apresentou a demissão na quarta-feira, Suella Braverman, está a considerar concorrer à liderança do Partido Conservador, segundo fontes.

E BORIS JOHNSON?

O antigo primeiro-ministro e antecessor de Liz Truss foi forçado a demitir-se a 6 de setembro. Boris Johnson interrompeu as férias na República Dominicana e estará de regresso ao Reino Unido, provavelmente para sondar quais são as suas reais possibilidade de voltar ao número 10 de Downing Street, admite o editor de Westminster ao The Sun.

Na última posição das sondagens, que tem apenas quatro nomes, surge Boris Johnson, o ex-primeiro-ministro. O antigo secretário particular parlamentar de Boris Johnson, James Duddridge, disse que é hora do seu chefe “voltar”.

Já o deputado conservador, Michael Fabricant, foi mais longe e redigiu uma carta ao presidente do Comité 1992. O parlamentar de Lichfield expressou “total confiança e apoio a Liz Truss”. Porém, caso a primeira-ministra apresente a demissão, “a única pessoa com legitimidade seria Boris Johnson”. O documento remonta a 17 de outubro, numa altura em que a atmosfera no Parlamento era “fervorosa”.

Tanto o Times como o Daily Telegraph estão a relatar que Johnson está preparado para concorrer novamente ao cargo.

Porém, enquanto muitos apoiantes de Boris apelam ao seu regresso, outros estão a fazer de tudo para afastar esta possibilidade. Os liberais democratas dizem que o partido conservador deverá impedir o antigo primeiro-ministro de se candidatar novamente.

O atual Ministro das Finanças, Jeremy Hunt, já disse que não vai concorrer à liderança do Reino Unido.

A LIDERANÇA MAIS CURTA DA HISTÓRIA DO PAÍS

A primeira-ministra britânica, Liz Truss, anunciou esta quinta-feira a sua demissão numa declaração à porta da residência oficial de Downing Street, em Londres.

"Reconheço que, dada a situação, não posso cumprir o mandato para o qual fui eleita pelo Partido Conservador. Por conseguinte, falei com Sua Majestade o Rei para o notificar de que me demito como líder do Partido Conservador”, disse.

Truss mantém-se em funções como primeira-ministra até ser escolhido um sucessor na liderança do partido, que será indigitado pelo Rei Carlos III chefe do Governo, pois os conservadores mantêm uma maioria absoluta no parlamento.

Truss, de 47 anos, foi declarada líder dos tories a 5 de setembro com 57% dos votos, derrotando o ex-ministro das Finanças Rishi Sunak na eleição interna para substituir o então líder demissionário Boris Johnson, processo que se prolongou por oito semanas.