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Continuam os protestos no Irão: pelo menos 328 mortos e quase 15 mil detidos

Continuam os protestos no Irão: pelo menos 328 mortos e quase 15 mil detidos
Alberto Pezzali

As manifestações são consideradas a maior ameaça ao regime teocrático do Irão desde a Revolução Islâmica, em 1979 e deverão intensificar-se nos próximos dias.

Pelo menos 328 pessoas foram mortas e 14.825 detidas nos protestos no Irão desencadeados pela morte de uma mulher a 16 de setembro após ser detida pela polícia de costumes, avançou esta quinta-feira o grupo Ativistas dos Direitos Humanos.

Segundo o grupo, que acompanha os protestos há 54 dias, o anúncio do número de vítimas visa enfrentar o silêncio mantido pelo Governo do Irão há várias semanas e as informações avançadas pela imprensa estatal, que garante que as forças de segurança não mataram ninguém.

As manifestações, que são já consideradas a maior ameaça ao regime teocrático do Irão desde a Revolução Islâmica, em 1979, deverão intensificar-se nos próximos dias, à medida que as pessoas vão para as ruas para marcar o luto dos 40 dias pelos primeiros manifestantes mortos, uma cerimónia comum em vários países do Médio Oriente.

Apesar de o Governo e o Exército terem renovado as ameaças contra a dissidência local e o mundo em geral, as várias cerimónias do luto dos 40 dias ameaçam tornar os protestos em confrontos cíclicos entre um público cada vez mais desiludido e as forças de segurança que recorrem a uma violência cada vez maior.

40.º DIA DA MORTE DE MAHSA AMINI ASSINALADO COM PROTESTOS

No dia 26 de outubro, quando se assinalou o 40º dia desde a morte da jovem Mahsa Amini, centenas de pessoas reuniram-se à frente do seu túmulo, apesar de o gabinete do governador provincial ter anunciado que "a família não ia assinalar a data".

O dia foi assinalado com vários protestos, sobretudo em universidades.

Vídeos divulgados esta quinta-feira na internet a partir do Irão -- apesar dos esforços do Governo para suprimir a internet -- mostram manifestações em Teerão e outras cidades, onde é possível ver o uso de gás lacrimogéneo contra gritos de "Morte ao Ditador", um canto que se tornou comum nos protestos contra o líder supremo do Irão, Ali Khamenei.

Não ficou imediatamente claro se houve feridos ou detidos nestes protestos, embora a agência de notícias estatal iraniana IRNA tenha reconhecido as manifestações como sendo as de Isfahan.

Mahsa Amini morreu num hospital a 16 de setembro, três dias após ser detida pela polícia da moralidade por usar o véu islâmico alegadamente de forma incorreta. Desde então, os protestos mantêm-se, sendo duramente reprimidos pelas forças de segurança.

A indignação no Irão pela morte de Mahsa Amini provocou a maior onda de protestos contra o Governo desde as manifestações contra o aumento dos preços da gasolina de 2019, num país rico em petróleo.

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