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Governo catalão fala em "ocasião histórica" para referendo legal sobre independência

Presidente do Governo da região espanhola da Catalunha, Pere Aragonès.
Presidente do Governo da região espanhola da Catalunha, Pere Aragonès.
Manu Fernandez

O presidente do Governo regional da Catalunha sublinhou que "existe hoje uma maioria sólida, ampla e transversal na sociedade catalã que quer decidir democraticamente, pacificamente e livremente o futuro político" da região.

O presidente do Governo da região espanhola da Catalunha, Pere Aragonès, defendeu esta quinta-feira que há "uma oportunidade histórica" neste momento para fazer um referendo sobre a independência catalã acordado com o Executivo de Espanha.

"O Estado espanhol deveria aproveitar esta ocasião histórica para dar uma solução democrática que permita aos cidadãos decidir o futuro, como fez o Reino Unido com a Escócia ou o Canadá com o Quebec", defendeu Aragonès num artigo com o título "Independência da Catalunha: um acordo transparente deve estabelecer as bases e as condições para a organização de um referendo", publicado no portal do jornal francês Le Monde hoje, coincidindo com a realização, em Barcelona, da cimeira anual entre Espanha e França.

Pere Aragonès defendeu que o Governo espanhol "deve abrir esta nova fase para construir uma solução pelo lado da política, um avanço democrático no quadro europeu", e acrescentou que "não o fazer ou atrasá-lo seria um grave erro".

O referendo deve ser "reconhecido por todas as partes envolvidas e ter o apoio da comunidade internacional, como fazem as democracias avançadas", acrescentou.

Para o presidente do governo catalão, é preciso "construir soluções para os conflitos políticos a partir da democracia".

“A negociação começa a dar os seus frutos”

Segundo Aragonês, é neste momento possível acordar um referendo legal (ao contrário do ilegal de 2017) por causa do diálogo entretanto aberto entre autoridades regionais e nacionais.

"A negociação começa a dar os seus frutos relativamente ao fim da repressão, com medidas importantes como a abolição do delito anacrónico da sedição" no final do ano passado do Código Penal espanhol, ao abrigo do qual "foram condenados a uma pena acumulada de centenas de anos de prisão diversos membros do governo e do parlamento da Catalunha, assim como representantes da sociedade civil por terem feito possível o referendo de outubro de 2017", escreveu Aragonès.

“Maioria sólida, ampla e transversal” quer decidir futuro da região

O presidente do governo regional da Catalunha sublinhou que "existe hoje uma maioria sólida, ampla e transversal na sociedade catalã que quer decidir democraticamente, pacificamente e livremente o futuro político" da região.

Pere Aragonès, da Esquerda República da Catalunha (ERC), esteve hoje na receção oficial da delegação francesa em Barcelona, ao lado do primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, mas abandonou a cerimónia logo após saudar e falar uns minutos com o Presidente de França, Emmanuel Macron, e antes de tocarem os hinos nacionais dos dois países.

Independentistas acusam Governo de aproveitamento político

O governo regional, a ERC e todos os partidos e associações independentistas condenaram o aproveitamento político de Barcelona que consideram que Sánchez fez ao escolher a cidade para celebrar a cimeira, com o objetivo de querer mostrar aos espanhóis e ao mundo que o independentismo e a tentativa de autodeterminação e 2017 acabou.

Este foi o motivo que levou hoje às ruas de Barcelona milhares de pessoas, convocadas por dezenas de partidos e associações, para mostrar que o independentismo catalão "está vivo".

O atual Governo espanhol, liderado pelo socialista Pedro Sánchez, tem apostado, desde que tomou posse, em 2019, em "desjudicializar" o conflito entre o Estado e a Catalunha, "normalizar" as relações com a região e dialogar com o poder regional.

Logo em 2019, o Governo de Sánchez indultou os independentistas que estavam na prisão após a tentativa de autodeterminação de 2017.

No final do ano passado, mudou o Código Penal para eliminar o crime de sedição, que havia levado à prisão de nove independentistas e do qual estavam acusados outros catalães ainda sem processos concluídos ou fugidos à justiça, como o ex-presidente do executivo regional Carles Puigdemont.

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