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Autoridades admitem centenas ou até milhares de mortos à passagem do ciclone Chido em Moçambique

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados descreve um cenário de pesadelo. 190 mil deslocados. No arquipélago de Mayotte, o território ultramarino mais pobre de França, o vento chegou a soprar 260 quilómetros por hora.

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As Nações Unidas descrevem uma situação dramática no norte de Moçambique. A passagem de um ciclone matou pelo menos 40 pessoas e deixou um cenário de devastação.

A passagem do ciclone tropical Chido deixou um rasto de destruição e morte na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.

A devastação causada pela natureza veio agravar a situação num território já muito fragilizado por uma guerra civil que dura há sete anos. Há 190 mil deslocados que precisam de apoio urgente.

O distrito de Mecúfi é o mais afetado. O bispo de Pemba diz que está arrasado. Praticamente 80% das casas ficaram danificadas.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados descreve um cenário de pesadelo com milhares de pessoas sem nada.

O Governo moçambicano enviou equipas para as províncias de Cabo Delgado e Nampula.

A ONU já atribuiu 3,8 milhões de euros para a assistência às vítimas. A ajuda vai chegando a conta gotas, mas as equipas humanitárias dizem que falta tudo.

"Abrigo, comida, itens não alimentares, como cobertores, tendas, água, saneamento (...). Estamos sem eletricidade", diz Isadora Zoni, do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

Sem comunicações e com muitas zonas inacessíveis, os esforços de resgate e socorro estão comprometidos.

É difícil conhecer o real impacto do ciclone e fazer a contabilidade de mortos, feridos e danos em infraestruturas e casas.

No arquipélago de Mayotte, o território ultramarino mais pobre de França, o vento que chegou a soprar 260 quilómetros por hora destruiu a maioria das habituações que não são de cimento.

O Presidente francês vai deslocar-se nos próximos dias ao local.

O Papa Francisco prestou as condolências às famílias.

As autoridades francesas admitem que centenas ou até milhares de pessoas tenham morrido e anunciaram o recolher obrigatório durante a noite para evitar pilhagens.