Era o último bastião do poder central no leste da República Democrática do Congo. Nas imediações do aeroporto de Goma, o dia foi de tiroteio e de combates entre as tropas congolesas e os rebeldes do grupo M23.
Apoiados pelo Ruanda, os rebeldes tutsi ocuparam já praticamente toda a cidade de Goma, capital da província de Kivu do norte. Entre as vítimas dos combates estão elementos de Organizações Não Governamentais (ONG) e capacetes azuis da Organização das Nações Unidas (ONU), que acionou já a ordem de evacuação da missão humanitária.
As últimas horas revelaram também a deserção para território ruandês de centenas de soldados congoleses. Desmoralizados e mal pagos, entregaram as armas às forças do país vizinho.
O reacender do conflito no leste da República Democrática do Congo ameaça mais de dois milhões de pessoas. A maioria da população ameaçada, refugiados de guerras anteriores, fez-se de novo à estrada sem saber para onde fugir.
Região é rica em minérios estratégicos
Esta segunda-feira, o presidente do Quénia anunciou uma primeira tentativa de mediação do conflito. Em Kinshasa, o presidente Felix Tshisekedi reuniu-se com os generais para discutir a resposta armada aos rebeldes. Mas foi em Nova Iorque, que a chefe da diplomacia, Thérèse Kayikwamba Wagner, apontou o dedo aos culpados pela invasão do território congolês.
No cerne das acusações da República Democrática do Congo está o presidente do Ruanda Paul Kagame. Pertence à minoria tutsi, assim como são tutsis quase todos os combatentes do M23.
Adormecido por alguns anos, o movimento reacendeu em 2022 o conflito pelo controlo do Kivu do norte. A província oriental congolesa é rica em minérios estratégicos como o coltan, usado no fabrico dos telemóveis e dos computadores.