António Bumba é o rosto do desespero. Trabalhou a vida inteira para erguer dois bares, uma estalagem, um restaurante, um salão de festas e uma loja. Na segunda-feira, o espaço foi vandalizado e pouco sobrou. 19 funcionários ficaram sem trabalho.
Foram pelo menos dois dias de vandalismo e pilhagens, em que morreram 22 pessoas e quase 200 ficaram feridas. Nos calabouços, estão 1.214 que vão começar a ser julgadas em breve, o que levou a Ordem dos Advogados de Angola a apelar à mobilização dos associados para os defenderem.
Ainda se fazem contas ao prejuízo
Numa avaliação preliminar, a Associação de Empresas de Comércio e Distribuição Moderna de Angola diz que foram vandalizados, pelo menos, 91 estabelecimentos comerciais em Luanda e Malanje - como a Cidade da China, na capital do país, local que agrupa centenas de lojas e que emprega direta e indiretamente cerca de 10.000 pessoas.
Apesar da tragédia, Marcelina entende o motivo que levou os taxistas a uma greve e que degenerou em tumultos.
A greve de três dias dos taxistas de Luanda ficou manchada pela violência, com a polícia a responder com mão pesada.
A normalidade é retomada a pouco e pouco. Algumas das principais vias rodoviárias já estão abertas ao trânsito e as autoridades ainda se mantêm no terreno.