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"Falhámos com estas jóias": diretora do Louvre quebra silêncio após assalto

A diretora do museu admitiu no senado francês que a única câmara que permite ver a varanda estava virada para outro lado. Diz que há vários anos que tem alertado para a degradação dos edifícios e dos equipamentos tecnológicos.

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A diretora do Louvre admitiu esta quinta-feira que não havia câmaras de vigilância na varanda por onde os assaltantes entraram no domingo. No senado francês, Laurence Des Cars disse que a única câmara que permite ver essa zona específica estava virada para outro lado. 

Em silêncio desde domingo, foi ouvida esta quarta-feira à tarde, três dias após o assalto. Garantiu que há vários anos que alerta para a degradação dos edifícios e dos equipamentos e que a maior fraqueza do museu, que é um dos mais visitados do mundo, é a qualidade das câmaras de vigilância que estão fracas e "envelhecidas". 

Laurence Des Cars - que se tornou diretora do Louvre em 2021 - afirmou que logo após o assalto apresentou a demissão à ministra da cultura, que a recusou. "Falhámos com estas jóias", cita a BBC.

"Através da sua violência, este roubo prejudica as nossas instituições na sua missão mais profunda. Acreditem que, para mim, não se trata de ser evasivo ou de adotar uma posição de negação. Apesar dos nossos esforços, apesar do nosso trabalho diário e determinado, eles fizeram-nos falhar. 

Foram roubados cerca de 90 milhões de euros em jóias em plena luz do dia. "Oito objetos com imenso valor em termos do património histórico do nosso país, guardados no coração histórico do Louvre", disse. 

No domingo, o grupo de assaltantes levou apenas alguns minutos para entrar na Galeria de Apolo num elevador de mercadorias, partir rapidamente duas das três vitrinas instaladas no final de 2019 para guardar as jóias preciosas, utilizando uma rebarbadora, e fugir com as peças.

O Louvre voltou reabriu as portas aos visitantes esta quarta-feira de manhã pela primeira vez desde o roubo.