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Trump reúne-se com Xi Jinping na Coreia do Sul: “O fentanil é só a decoração do bolo”

Na véspera do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping na Coreia do Sul, o comentador da SIC, Luís Ribeiro, sublinha que o tema do fentanil serve apenas de distração num jogo muito mais complexo de poder económico e geopolítico.

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A diplomacia chinesa confirmou hoje que o Presidente Xi Jinping vai reunir-se na quinta-feira com o homólogo norte-americano, Donald Trump, na Coreia do Sul, num encontro destinado a aliviar a tensão comercial entre os dois países. Embora Washington já tivesse confirmado a reunião, Pequim manteve o silêncio até agora, naquela que será a primeira reunião entre os dois líderes desde o regresso do republicano à Casa Branca.

O encontro decorrerá à margem da cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico e deverá abordar temas como a guerra comercial, a aplicação TikTok, a questão de Taiwan e o combate ao tráfico de fentanil.

Nos últimos dias, ambos os lados sinalizaram uma vontade de compromisso. Trump manifestou confiança num "acordo comercial bom para ambos" e admitiu baixar tarifas à China em troca de maior cooperação no combate ao fentanil, droga responsável por uma crise de saúde pública nos EUA.

“Na verdade, o que está em causa é muito mais importante do que isso”, afirma Luís Ribeiro que lembra também que "a China controla 90% da refinação de terras raras produtos essenciais para a indústria tecnológica e que essas restrições estão no centro da disputa comercial".

Para o comentador da SIC, a guerra económica entre Washington e Pequim estende-se a vários setores, das tarifas às exportações agrícolas, passando pelos chips de Inteligência Artificial. “Tudo isto faz parte desta guerra comercial terrível que é má para todos, é má para o mundo inteiro”, resume.

Luís Ribeiro lembra ainda que Trump pode tentar usar a reunião para pressionar Xi relativamente à guerra na Ucrânia, mas considera improvável que Pequim avance com sanções a Moscovo. “A China não quer que acabe a guerra, porque enquanto durar o Ocidente está distraído e pode preparar a invasão de Taiwan.”

No Médio Oriente, o analista alerta para a fragilidade do cessar-fogo em Gaza: “Se isto é um cessar-fogo, vou ali e já venho.”