A missiva da Organização das Nações Unidas deixa um alerta claro para a "violência crescente e insegurança alimentar sem precedentes" que deixa "milhões de mulheres e meninas em risco". Anna Mutavati, Diretora Regional para a África Oriental e Austral da ONU Mulheres, sublinhou que a fome no Sudão "tem rosto feminino".
De acordo com a ONU, há 250 pessoas feridas por dia baleadas e com sinais de tortura. As mulheres, no meio de toda a violência, são as principais vítimas. Em nota publicada no site da organização, denuncia-se "a insegurança extrema e as violações generalizadas dos direitos humanos, incluindo homicídios em massa e violência sexual".
Dezenas de milhares de famílias estão por isso "a fugir, muitas delas sem acesso a água, alimentos ou cuidados médicos". A ONU Mulheres revela que "quase 11 milhões de mulheres e meninas estão em situação de insegurança alimentar aguda, com a fome e a violência a afetarem de forma desproporcional as mulheres em todo o país".
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) alerta que as operações humanitárias "estão à beira da rutura, com armazéns quase vazios e comboios de ajuda bloqueados por falta de segurança".
Amy Pope, diretora-geral da OIM, afirma que "sem acesso seguro e financiamento urgente, as operações humanitárias podem colapsar exatamente quando as comunidades mais precisam de ajuda".
O Sudão está mergulhado há dois anos e meio numa Guerra Civil entre as Forças Armadas Sudanesas e as Forças de Apoio Rápido, anteriormente parceiras do Governo.
A ONU denuncia ataques em massa contra civis. As forças dizem que as Forças das Nações Unidas só podem entrar sem acompanhamento militar.
