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ONU exige acesso imediato ao Sudão para levar ajuda humanitária, mulheres são as principais vítimas

As Nações Unidas alertam que as condições em El Fasher, no Norte de Darfur, no Sudão, estão a deteriorar-se e exige o acesso imediato e sem obstáculos ao país para poder levar ajuda humanitária.

Sudaneses deslocados, que fugiram da cidade de El-Fasher após forças paramilitares do Sudão terem matado centenas de pessoas na região ocidental de Darfur, transportam lenha no seu campo em Tawila, Sudão, na quinta-feira, 30 de outubro de 2025.
Sudaneses deslocados, que fugiram da cidade de El-Fasher após forças paramilitares do Sudão terem matado centenas de pessoas na região ocidental de Darfur, transportam lenha no seu campo em Tawila, Sudão, na quinta-feira, 30 de outubro de 2025.
Mohammed Abaker / AP

A missiva da Organização das Nações Unidas deixa um alerta claro para a "violência crescente e insegurança alimentar sem precedentes" que deixa "milhões de mulheres e meninas em risco". Anna Mutavati, Diretora Regional para a África Oriental e Austral da ONU Mulheres, sublinhou que a fome no Sudão "tem rosto feminino".

De acordo com a ONU, há 250 pessoas feridas por dia baleadas e com sinais de tortura. As mulheres, no meio de toda a violência, são as principais vítimas. Em nota publicada no site da organização, denuncia-se "a insegurança extrema e as violações generalizadas dos direitos humanos, incluindo homicídios em massa e violência sexual".

Dezenas de milhares de famílias estão por isso "a fugir, muitas delas sem acesso a água, alimentos ou cuidados médicos". A ONU Mulheres revela que "quase 11 milhões de mulheres e meninas estão em situação de insegurança alimentar aguda, com a fome e a violência a afetarem de forma desproporcional as mulheres em todo o país".

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) alerta que as operações humanitárias "estão à beira da rutura, com armazéns quase vazios e comboios de ajuda bloqueados por falta de segurança".

Amy Pope, diretora-geral da OIM, afirma que "sem acesso seguro e financiamento urgente, as operações humanitárias podem colapsar exatamente quando as comunidades mais precisam de ajuda".

O Sudão está mergulhado há dois anos e meio numa Guerra Civil entre as Forças Armadas Sudanesas e as Forças de Apoio Rápido, anteriormente parceiras do Governo.

A ONU denuncia ataques em massa contra civis. As forças dizem que as Forças das Nações Unidas só podem entrar sem acompanhamento militar.