Mundo

Nobel da Paz: filha de Corina Machado representará a opositora venezuelana na cerimónia em Oslo

A presença da laureada, a opositora venezuelana María Corina Machado, na cerimónia de entrega do Nobel da Paz, em Oslo, estava em dúvida. Mas sabe-se agora que o Nobel será entregue à filha.

Nobel da Paz: filha de Corina Machado representará a opositora venezuelana na cerimónia em Oslo
picture alliance/Getty Images

O Nobel da Paz 2025 é entregue esta quarta-feira em Oslo, na Noruega, não à laureada, a opositora venezuelana María Corina Machado, mas sim à filha Ana Corina Sosa.

Recorde-se que María Corina Machado vive na clandestinidade na Venezuela e, além disso, a Venezuela atravessa um clima de tensão com os Estados Unidos, situação que desencadeou a suspensão de muitos voos internacionais, após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado o encerramento do espaço aéreo venezuelano.

O Nobel da Paz foi atribuído este ano à opositora venezuelana "enquanto líder do movimento pela democracia na Venezuela", mas, como defensora da vitória do líder da oposição Edmundo González nas eleições presidenciais de julho de 2024, a ativista é um alvo do regime liderado pelo Presidente Nicolás Maduro.

A sua presença na cerimónia do Nobel era uma incógnita desde a atribuição do prémio, a 10 de outubro.Inicialmente, em outubro, María Corina Machado disse a um jornal norueguês que só viajaria para a capital da Noruega se a Venezuela estivesse "livre" e explicou que, enquanto Nicolás Maduro estiver no poder, não pode abandonar o local onde se encontra "por motivos de segurança".

Mais tarde, a opositora acabou por anunciar que estaria na cerimónia de Oslo, tendo mesmo marcado uma conferência de imprensa para terça-feira, naquela que seria a primeira vez que surgiria em público desde janeiro.

A conferência de imprensa foi inicialmente adiada e depois cancelada, sem que o Comité Nobel norueguês tenha avançado os motivos.

A sua presença em Oslo ter-se-á também tornado mais difícil quando várias companhias aéreas internacionais, incluindo a TAP, decidiram suspender as suas operações naquele país na sequência de alertas feitos pelas autoridades norte-americanas sobre os perigos de sobrevoar a região, decorrentes do destacamento militar de Washington nas Caraíbas.

Sabe-se agora que será a filha, Ana Corina Sosa, a receber o Nobel em representação da mãe. Em Oslo estarão ainda a mãe, Corina Parisca, e a irmã, Clara Machado.

Além da sua família, também estará presente na cerimónia o líder da oposição venezuelana, Edmundo González Urrutia, exilado em Espanha, assim como os presidentes da Argentina, Javier Milei, do Paraguai, Santiago Peña, e do Panamá, José Raúl Mulino.

A participação dos líderes latino-americanos na cerimónia foi criticada pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), que apelidou os chefes de Estado em causa de "vagabundos" e "proxenetas".

A congressista norte-americana republicana Maria Elvira Salazar também estará na cerimónia em Oslo.O anúncio da atribuição do Prémio Nobel da Paz 2025 foi feito no dia 10 de outubro, tendo o Comité Nobel explicado a escolha da opositora e ex-deputada da Assembleia Nacional da Venezuela entre 2011 e 2014 com o "seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos do povo da Venezuela e a sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia".

Sublinhando que o Prémio Nobel da Paz foi atribuído, este ano, a uma "corajosa e empenhada defensora da paz", o porta-voz do Comité do Nobel justificou tratar-se de "uma mulher que mantém a chama da democracia acesa no meio da crescente escuridão".

Fundadora da Súmate, uma organização dedicada ao desenvolvimento democrático, María Corina Machado "defende eleições livres e justas há mais de 20 anos", referiu na ocasião o Comité, lembrando uma declaração da própria:

"Foi uma escolha de votos em vez de balas".