As redes sociais estão oficialmente proibidas a menores de 16 anos na Austrália. A medida entrou em vigor à meia-noite, sendo este o primeiro país em todo o mundo a implementar uma lei assim.
Na antena da SIC Notícias, Ana Teresa Prata, médica especialista em psiquiatria da infância e da adolescência, explica que "em termos clínicos", as redes sociais são um tema que "preocupa bastante".
"Já existem vários estudos que apontam para isso, não apenas pelo caráter aditivo das redes sociais, o impacto que tem, por exemplo, no sono (...) e, consequentemente, com o impacto depois em termos escolares, por exemplo, mas também no humor, na irritabilidade. A questão dos algoritmos e do tipo de conteúdo que é promovido, nós sabemos que afeta, principalmente raparigas, adolescentes, em termos de imagem".
Portanto, explica, "é algo que quem trabalha na área da saúde mental já tem estado bastante atento e preocupado e, portanto, compreendemos aqui a necessidade de haver alguma resposta e alguma reação a tudo isso que nós vamos sabendo dos malefícios que as redes sociais trazem".
No entanto, alerta Ana Teresa Prata, é importante criar alternativas. "Se nós tiramos os ecrãs, (...) é preciso criar espaços para que as crianças possam ter outros contactos sociais presenciais. (...) Às vezes isto não acontece, não há essa disponibilidade, por variadíssimas razões".
"É preciso também incluir os jovens nesta discussão, porque eles também conseguem reconhecer esta adição e os malefícios que vão trazendo. Mas eles também têm coisas a dizer sobre o assunto, também têm sugestões para dar sobre isto e têm que estar integrados, porque só proibir não vai ensiná-los a proteger-se e não é a partir dos 16 anos que de repente já sabem como é que iam de usar os ecrãs de forma mais saudável".
Há vários dias que as redes sociais na Austrália têm estado a avisar os utilizadores da nova proibição. Críticos da decisão queixam-se de censura e de violação do acesso à informação.
