O antigo Presidente norte-americano Bill Clinton e a sua mulher ex-secretária de Estado Hillary Clinton, aceitaram testemunhar perante uma comissão do Congresso que investiga o caso Epstein, segundo um porta-voz do casal.
"O ex-Presidente e a ex-secretária de Estado estarão presentes [na comissão do Congresso]. Estão ansiosos por estabelecer um precedente que se aplique a todos", afirmou o porta-voz Angel Ureña nas redes sociais.
Em resposta a uma mensagem de membros republicanos da comissão que solicitavam o depoimento do casal devido aos laços passados de Bill Clinton com o criminoso sexual condenado, o porta-voz publicou que o ex-casal presidencial já tinha dito sob juramento o que sabia, mas que aqueles "não querem saber".
"Eles (Clinton) negociaram de boa fé, vocês não", disse Angel Ureña.
A Comissão de Regras da Câmara de Representantes preparava-se para aprovar uma votação plenária sobre duas resoluções que, se adotadas, recomendariam ao Departamento de Justiça que apresentasse acusações contra o ex-Presidente democrata (1993-2001) e a ex-secretária de Estado (2009-2013) e candidata presidencial (2016).
Caso estas recomendações de processo fossem adotadas, seria iniciada uma acusação formal pelo Departamento de Justiça, chefiado por Pam Bondi, uma fiel apoiante de Donald Trump, e o casal poderia enfrentar até 12 meses de prisão.
Entre os milhões de ficheiros divulgados pelo Departamento de Justiça norte-americano, várias fotos mostram Jeffrey Epstein na companhia de superestrelas como Michael Jackson e Mick Jagger e do ex-Presidente Bill Clinton.
O gabinete de Bill Clinton tem acusado a Casa Branca de divulgar a informação sobre o caso de forma a encobrir as referências a Donald Trump, que foi durante décadas amigo de Epstein e frequentou as suas festas com menores de idade.
Afirma ainda que o ex-Presidente pertenceu ao grupo de pessoas mencionadas que não sabia dos crimes sexuais e cortou relações com Epstein antes de este ser acusado, enquanto outros continuaram a sua relação com o criminoso sexual.
Trump sempre negou qualquer conhecimento do comportamento criminoso de Epstein e afirma que rompeu relações com ele antes de ser investigado pelas autoridades.
Embora tenha declarado durante a sua campanha presidencial de 2024 que apoiava a divulgação dos ficheiros Epstein, resistiu posteriormente a fazê-lo durante muito tempo, classificando o caso como uma farsa orquestrada pelos democratas.
No entanto, o líder republicano cedeu finalmente à pressão do Congresso e até de parte dos seus apoiantes e sancionou em novembro uma lei que exige transparência sobre este caso à sua administração.
A publicação, na sexta-feira, de mais de três milhões de ficheiros relacionados com Epstein incluem nomes do mundo das artes, de empresas e desporto e da política, como o secretário do Comércio, Howard Lutnick.
Lutnick, de acordo com estes documentos, planeou em 2012 visitar com a mulher a ilha de Epstein, desconhecendo-se se a visita realmente aconteceu.
Ao círculo de relações de Epstein pertencia também o coproprietário da equipa de futebol americano New York Giants, Steve Tisch, com quem trocou numerosas mensagens, a maior parte das quais em 2013, relacionadas com mulheres, destacou a comunicação social norte-americana.
Outra figura pública que reaparece nos documentos é Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei Carlos III do Reino Unido caído em desgraça ao surgir no centro de um escândalo, quando uma das vítimas de Epstein afirmou que o ex-príncipe mantivera relações sexuais com ela quando era menor, com 17 anos.
Os milhares de documentos divulgados na sexta-feira incluem uma lista de pelo menos 12 acusações contra Trump por abuso sexual de menores.
Estas acusações, coligidas pelo FBI (a polícia federal dos Estados Unidos) no ano passado, carecem, contudo, de provas que as sustentem.
Epstein foi encontrado morto na sua cela de uma prisão federal em Nova Iorque, com um lençol atado ao pescoço, em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de exploração sexual.
