A diplomacia da Rússia declarou que já não está vinculada ao Tratado Novo START sobre desarmamento nuclear com os Estados Unidos, que expira na quinta-feira.
"Presumimos que as partes do Tratado Novo START já não estão vinculadas a quaisquer obrigações ou declarações recíprocas ao abrigo do tratado", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Moscovo em comunicado.
Anteriormente, as autoridades russas tinham afirmado que iam agir de forma "ponderada e responsável" em relação às suas atividades nucleares.
Em que consistia o Tratado Novo START?
O Tratado Novo START é o último acordo de controlo de armas entre Washington e Moscovo. Assinado em 2010, limitava cada parte a 800 lançadores e bombardeiros pesados e 1.550 ogivas ofensivas estratégicas destacadas, e era acompanhado por um mecanismo de verificação.
O fim do prazo do acordo marca a transição para uma ordem nuclear menos regulamentada, embora as inspeções das partes já estivem suspensas desde 2023, devido à invasão russa da Ucrânia, iniciada em fevereiro do ano anterior.
O que dizem a China, Rússia e EUA?
Durante uma conversa com o homólogo chinês, Xi Jinping, o Presidente russo, Vladimir Putin, disse que Moscovo ia usar cautela e responsabilidade em relação ao seu armamento, indicou o conselheiro diplomático do Kremlin Yuri Ushakov, em conferência de imprensa.
"Continuamos abertos a encontrar formas de negociar e garantir a estabilidade estratégica", disse Ushakov.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou, pelo seu lado, que não tinha qualquer anúncio a fazer, remetendo comentários sobre o assunto para o líder da Casa Branca, Donald Trump.
O chefe da diplomacia de Washington indicou ainda que os Estados Unidos pretendem incluir a China em quaisquer discussões sobre este tema.
"O Presidente Trump já deixou claro que, para se alcançar um controlo de armas genuíno no século XXI, é impossível agir sem incluir a China, dado o seu arsenal considerável e em rápida expansão", observou Rubio.
"Mundo vai ficar mais perigoso" avisa o Kremlin
Na terça-feira, o Kremlin alertou para as consequências do fim do prazo do tratado, descrevendo um mundo que corre o risco de ficar "numa situação mais perigosa do que antes".
Em setembro de 2025, Vladimir Putin propôs a Washington um prolongamento de um ano dos termos do entendimento, uma proposta descrita como uma "boa ideia" pelo homólogo norte-americano, mas à qual não houve resposta.
Os Estados Unidos retiraram-se em 2019 de outro importante tratado de desarmamento, concluído em 1987 com a Rússia, relativo às armas nucleares de médio alcance.

