Cristiano Ronaldo está esta terça-feira presente num jantar organizado por Donald Trump na Casa Branca, que conta com a presença do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, que já não visitava os Estados Unidos há sete anos.
A visita à Casa Branca marca também o regresso do internacional português aos Estados Unidos, país onde jogou pela última vez em agosto de 2014, numa partida que opôs o Real Madrid ao Manchester United. Ronaldo terá evitado voltar aos EUA depois de ter sido acusado de uma violação em Las Vegas.
Para João Maria Jonet, a ida da estrela do Al-Nassr a Washington não surpreende, relembrando que Donald Trump já discutiu a reforma da justiça com Kim Kardashian e as relações raciais com Kanye West.
"Tem sido normal para Donald Trump encher a Casa Branca de celebridades para distrair em semanas que lhe estão a correr mal do ponto de vista interno", refere.
Jonet considera ainda que o Presidente norte-americano está a tentar limpar a imagem da Arábia Saudita na América, ao mesmo tempo que o príncipe saudita "também se quer apresentar de cara lavada". "Por isso leva a sua coqueluche da limpeza do regime", atira o comentador.
"Ronaldo, se quer promover a paz, pode fazer a pequena viagem de avião da Arábia Saudita à Palestina ou até à Ucrânia e levar esse circo, que ele diz que carrega atrás, para chamar a atenção para reais atrocidades, em vez de estar a levar para um cocktail em Washington", continuou.
Por sua vez, Bruno Cardoso Reis recorda que Cristiano Ronaldo confessou recentemente, numa entrevista a Piers Morgan, que gostaria de se encontrar com o Presidente norte-americano. "E Trump gosta de ser elogiado", continua.
O comentador da SIC explica ainda que os milhões que a Arábia Saudita paga à estrela portuguesa não se resumem à performance desportiva e que servem também para dar um impulso à imagem do país e à ideia de modernização.
Francisco Guimarães defende também o desporto tem sido utilizado para limpar a imagem do sistema saudita e que "Ronaldo tem sido o principal responsável por isso".
"Ronaldo pode fazer o que quer, na medida em que nada apaga o seu histórico desportivo. A sua obra é inegável. Mas também não podemos deixar que a sua obra faça uma espécie de limpeza ao que ele é enquanto cidadão. As suas atitudes podem ser elogiadas e criticadas. E, neste caso, o que anda a fazer desde que foi para a Arábia Saudita é totalmente condenável", acrescenta.
O timing da visita à Casa Branca também faz alguma "confusão", admite o comentador desportivo, lembrando que, nos últimos dias, Cristiano Ronaldo deixou o estágio da seleção nacional depois de ter sido expulso e deu uma entrevista, "no mínimo, confrangedora a Piers Morgan".
