EUA

Análise

Trump fez discurso "cheio de disparates" com promessas irreais sobre economia americana

O comentador da SIC, Luís Ribeiro, faz uma análise ao discurso feito esta madrugada por Donald Trump, quando muitos analistas anteviam um anúncio de guerra contra a Venezuela (que não se concretizou). O Presidente dos EUA fez antes um balanço do ano, com duras críticas aos democratas e muitas promessas.

Loading...

O apresentador de televisão e analista político conservador norte-americano, Tucker Carlson, garantia que o Presidente dos Estados Unidos iria anunciar uma intervenção militar na Venezuela, mas, afinal, não foi isso que aconteceu.

Trump quis fazer um balanço de 2025 - à sua maneira -, mas, no fim, o resultado foi um "discurso cheio de nada, cheio de disparates", segundo a análise do comentador da SIC Luís Ribeiro.

O que disse então o chefe de Estado norte-americano? Um "boom económico como o mundo nunca viu". Numa altura em que a população vive à míngua com o aumento do custo dos alimentos, da habitação, dos serviços públicos e outros bens básicos, Trump culpou o seu antecessor, Joe Biden, por todos os desafios que a economia enfrenta.

Luís Ribeiro considera que as declarações do Presidente dos EUA relativamente à economia são "disparates" e explica porquê: "Ele diz coisas como 'nós conseguimos atrair 18 milhões de milhões em investimento', que é um disparate completo. O PIB total dos Estados Unidos é de 30 milhões de milhões, portanto isso corresponderia a mais de metade do PIB americano."

Acrescenta ainda que o anúncio de descidas de preços dos medicamentos na ordem dos 500% e 600% são igualmente um "disparate".

"Qualquer pessoa que tenha feito o ensino primário sabe que isto não é possível, quer dizer, não faz sentido, do ponto de vista matemático", afirma o comentador.

Queda da popularidade a causar "pânico" em Trump?

Na perspetiva de Luís Ribeiro, todo este discurso revela "um pânico de Donald Trump" que "tem visto a sua popularidade desabar".

"Ainda ontem [quarta-feira], uma sondagem da Fox News, que é uma cadeia de televisão que lhe é altamente favorável, para não dizer mais, mostrava numa sondagem que apenas 39% dos americanos estavam de acordo com a forma como ele tem conduzido os destinos do país, enquanto 59% estavam em desacordo, ou seja, tem uma popularidade negativa de 20 pontos percentuais. Isto é desastroso para Trump ao fim de 11 meses de mandato", afirma.

Donald Trump pode ter deixado à vista de todos a preocupação que o tem assombrado: a de ver o Partido Republicano e o povo americano "escapar-lhe por entre os dedos".

Segundo Luís Ribeiro, este foi "um discurso que, ao não dizer nada, disse tudo".

Descongelar ou não descongelar ativos russos?

Esta quinta-feira decorre o Conselho Europeu em Bruxelas e há decisões a tomar, nomeadamente, se se deve descongelar os ativos russos ou emitir dívida, tudo para tentar ajudar a Ucrânia financeiramente não só a defender-se como também a reerguer-se.

Luís Ribeiro alerta para o que está a acontecer para que esta decisão seja desconsiderada. Em causa, ameaças dos serviços de inteligência militar russa a governantes belgas.

"Citando Friedrich Merz, o chanceler alemão, parece-me que há alguma [hipótese de se chegar a acordo]... Ele diz que tem 50/50 de probabilidade de passar um acordo nesta reunião. Eu diria que ele está a ser otimista", começa por explicar.

Isto porque, de um lado haverá um "bloqueio da Hungria e provavelmente da Eslováquia", algo que "já é mais do que garantido" e "usar os ativos russos vai contar com a oposição da Bélgica e provavelmente da Itália".

"A Bélgica, aparentemente, segundo notícias que saíram agora com base nos serviços de informação europeus, os próprios governantes, os próprios políticos belgas, além dos administradores do Euroclear, da instituição onde estão esses fundos russos congelados, estão a receber aparentemente ameaças dos serviços de inteligência militar russa. Isto é gravíssimo. Nós não só temos uma guerra híbrida em toda a Europa que está a ser espoletada pela Rússia, como agora já temos estes métodos mafiosos do Estado russo, que já vai ao ponto de ameaçar diretamente políticos europeus", aponta o comentador.

Com base nisto, Luís Ribeiro considera "muito difícil" que se chegue a acordo.