O apresentador de televisão e analista político conservador norte-americano, Tucker Carlson, garante que o Presidente dos Estados Unidos vai anunciar nas próximas horas uma intervenção militar na Venezuela.
Carlson refere, no podcast "Judging Freedom", com Andrew Napolitano, que há membros do Congresso dos EUA que foram informados na terça-feira de que os Estados Unidos se estão a preparar para começar uma guerra com a Venezuela e que o anúncio pode ser feito esta noite.
A verdade é que Trump falará ao país a partir das 21:00 desta quarta-feira (02:00 de quinta-feira em Portugal continental), pelo que o anúncio oficial pode estar para breve.
"O que sei até agora é que os membros do Congresso foram informados ontem de que uma guerra está a caminho e que será anunciada no discurso à nação esta noite, pelo Presidente", revelou o analista.
"Foi um grande ano para o nosso país, e o melhor ainda está para vir", disse Trump na terça-feira, ao anunciar a intervenção numa mensagem na sua rede social Truth Social, deixando no ar que estarão novidades a caminho.
"Tiraram-nos todo o nosso petróleo"
Já esta quarta-feira, o Presidente dos EUA recordou que a Venezuela retirou os direitos petrolíferos às empresas norte-americanas e disse que os quer de volta.
"Lembrem-se de que nos tiraram todos os nossos direitos energéticos. Tiraram-nos todo o nosso petróleo não faz muito tempo. Queremos de volta. Foi-nos tirado ilegalmente", declarou o líder norte-americano à imprensa a partir da base aérea de Andrews, nos arredores de Washington.
"Queremos de volta. Tiraram-nos os nossos direitos petrolíferos, apesar de haver muito petróleo lá, como sabem, expulsaram as nossas empresas, e queremos de volta", insistiu.

Estas declarações surgem um dia depois de Trump anunciar que ordenou um bloqueio total à entrada e saída da Venezuela de navios petrolíferos sancionados pelo Governo norte-americano.
O chefe de Estado intensificou a pressão sobre a Venezuela, um país dependente do negócio petrolífero, após ter confiscado na semana passada um navio que tinha saído do país sul-americano e confiscar o crude que transportava.
Indústria petrolífera da Venezuela foi nacionalizada em 1976
A indústria petrolífera venezuelana foi nacionalizada a 01 de janeiro de 1976, durante a primeira presidência de Carlos Andrés Pérez, e reservou os direitos de exploração e aproveitamento de reservas do país à empresa estatal Petróleos de Venezuela (Pdvsa).
Em 2007, o então presidente Hugo Chávez modificou as regras sobre a indústria petrolífera para obrigar as multinacionais a tornarem-se sócias minoritárias da Pdvsa ou a retirarem-se do país.
Apesar da tensão entre Washington e Caracas, a empresa norte-americana Chevron opera na Venezuela associada à Pdvsa, graças a uma licença do Departamento do Tesouro que a isenta das sanções impostas ao crude venezuelano.
O subchefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, assegurou hoje que os Estados Unidos criaram a indústria petrolífera da Venezuela e qualificou a sua nacionalização como "o maior roubo registado de riqueza e de propriedade" do seu país.
EUA aumentam a pressão
Até agora, a Administração de Trump afirmou que a sua estratégia de pressão sobre a Venezuela visava combater o narcotráfico, pois acusa o Governo de Nicolas Maduro de liderar o Cartel de los Soles.
As Forças Armadas dos Estados Unidos destruíram desde setembro cerca de vinte embarcações nas Caraíbas e no Pacífico que supostamente transportavam droga, matando extrajudicialmente pelo menos 95 tripulantes.
Trump prometeu iniciar "em breve" ataques contra o narcotráfico em território venezuelano, enquanto Maduro instou os seus cidadãos a juntarem-se a milícias cidadãs para defender o país.
Democratas defendem retirada das forças armadas dos EUA da Venezuela
Entretanto, os democratas da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos apresentaram duas resoluções sobre poderes de guerra, depois de a Administração de Donald Trump ter declarado o Governo venezuelano como "organização terrorista" e bloqueado toda a sua frota petrolífera.
O primeiro documento, apresentado pelo representante democrata Gregory Meeks, defende retirar as Forças Armadas dos EUA "das hostilidades com qualquer organização terrorista designada pela Presidência no hemisfério ocidental", a menos que o Congresso tenha declarado guerra ou autorizado o uso da força militar para tais fins.
O comité de Relações Exteriores dos democratas indicou que "a Câmara votará brevemente" a resolução de Meeks "para pôr fim aos ataques militares extrajudiciais" na região.
"Os membros devem votar sim e deixar claro que nenhum Presidente pode arrastar unilateralmente os Estados Unidos para um conflito que o povo não deseja", sublinhou.
Por seu lado, o representante democrata Jim McGovern apresentou uma segunda resolução que retiraria às Forças Armadas "das hostilidades dentro ou contra a Venezuela que não tenham sido autorizadas pelo Congresso".
Este texto poderia ter maiores hipóteses de ser aprovado porque conta com o apoio de três republicanos, informa a cadeia de televisão CBS.
Segundo a resolução de poderes de guerra de 1973, o presidente deve consultar o Congresso "em todos os casos possíveis" antes de envolver as Forças Armadas em hostilidades, a menos que haja uma declaração de guerra ou outra autorização do Congresso.
Com agências

