Dois ataques. Três pessoas mortas e um suspeito português que foi encontrado morto esta madrugada, perto de um armazém em Salem, no New Hampshire. O que terá levado Cláudio Valente a matar primeiro na Universidade de Brown e depois um antigo colega de faculdade em Boston?
Na antena da SIC Notícias, esta sexta-feira, Daniela Melo, especialista em política norte-americana, e José Paulino, ex-inspetor da Polícia Judiciária, analisam o crime que está a chocar os EUA.
Para já ainda não há muitos detalhes sobre a motivação do crime, mas Daniela Melo, considera que essas motivações são, presumivelmente, "do foro pessoal ou profissional, ou ambos".
"O que sabemos é que isto foi bem planeado, foi bem organizado, ou seja, não foi algo momentâneo, não foi fruto apenas de um momento, um episódio de loucura, isto foi planeado e provavelmente o desfecho também terá sido planeado", afirma a especialista.
Uma das hipóteses colocada em discussão é se o meio académico mais competitivo poderá, de alguma maneira, ter contribuído para o crime. Daniela Melo afirma que, enquanto académica, "não deve haver um único académico no mundo que tenha ouvido esta história e que não tenha pensado nesse caso".
"Há muitas possibilidades e, infelizmente, há também muitos problemas de saúde mental, há muitos problemas, enfim, de foro pessoal que acontecem no mundo académico. O mundo académico é, sem dúvida, extremamente competitivo. Nós sabemos que ele era um aluno que apresentava imensa promessa do ponto de vista profissional e que essa promessa, pelo menos no mundo da física, não chegou a concretizar-se. Mas não sabemos exatamente porquê, não sabemos ainda porque é que ele saiu da Brown, não sabemos porque é que não terminou o seu doutoramento", detalha a especialista.
Também o relacionamento do alegado homicida com a vítima, o cientista português Nuno Loureiro, também ainda se mantém envolto em mistério.
José Paulino assumiu a sua concordância com a análise de Daniela Melo no que respeita à preparação: "Ele teve dez dias, pelo menos, desde o dia 1 [de dezembro até aos crimes]. Ele está na Flórida, aluga um apartamento em Boston, aluga também depois uma arrecadação, é visto com o carro, tem um quarto de hotel lá embaixo... Circula, portanto, há 13 dias e ia aos locais onde cometeu os crimes, portanto, é premeditado."
O ex-inspetor da PJ afirma ainda que em casos de investigações como esta há, muitas vezes, a "tentação de voar", de procurar por uma "razão muito complexa", mas que as "coisas às vezes estão mais próximas".
"Há uma coisa que facilita, o procedimento criminal. Não sei como é nos Estados Unidos, mas em Portugal, com a morte do autor do crime, extingue-se o procedimento criminal. No entanto, as polícias, desde as polícias criminais, o FBI, a Polícia Judiciária, todas as polícias que trabalham nestas áreas, querem saber [o móbil do crime]", afirma Paulino.
O ex-inspetor da PJ aponta o facto de haver dois casos em vez de um, o ataque na Universidade de Brown e o homicídio na casa da vítima, Nuno Loureiro, em Boston, sendo que este último é mais concreto e direcionado a apenas um alvo.