O Presidente norte-americano considerou esta segunda-feira "uma tragédia" a morte de um enfermeiro abatido a tiro pela polícia federal em Minneapolis (norte), mas sustentou que esta resultou da "resistência deliberada e hostil" dos democratas.
Donald Trump "não quer ver pessoas feridas ou mortas nas ruas", mas exigiu "o fim da resistência e do caos" em torno da política de expulsão de imigrantes, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, numa conferência de imprensa.
Depois de enfrentar, em outubro de 2025, a mais longa paralisação governamental da história dos Estados Unidos, Trump corre o risco de nova paralisação, estando os democratas determinados a impedir o financiamento da campanha anti-imigração, após as mortes de dois cidadãos norte-americanos, num mês, às mãos de agentes federais do Serviço de Imigração e Alfândegas (ICE) em Minneapolis.
Até ao último fim de semana, Trump e os principais líderes republicanos do Congresso pareciam estar perto de conseguir a aprovação, antes do final da semana, do resto do orçamento federal para o ano fiscal de 2026.
O obstáculo da Câmara dos Representantes já estava ultrapassado, e os senadores republicanos estavam bastante confiantes de que podiam convencer democratas suficientes a votar a favor, antes do prazo final da próxima sexta-feira.
Morte de Alex Pretti
Mas a morte, no sábado, de Alex Pretti, a segunda vítima da polícia federal em Minneapolis este mês, depois de Renee Good, mudou o cenário e pode agora levar o Governo federal a uma nova paralisação.
A morte deste enfermeiro, de 37 anos, abatido a tiro por agentes federais do ICE tornou-se um símbolo das políticas repressivas da imigração do Governo Trump, desencadeando fortes reações de contestação.
Uma nova paralisação da administração pública terá consequências em vários departamentos, como Saúde, Defesa, Transportes e Habitação, mas sobretudo para o Departamento de Segurança Interna (DHS), que supervisiona o ICE e a Agência de Proteção de Alfândegas e Fronteiras (CBP).
Para os democratas, é agora impossível fornecer os votos necessários para aprovar o projeto de lei, se este incluir novos fundos para o DHS sem reforçar a supervisão das agências encarregadas da execução da política de imigração.
"Esta repressão violenta tem de parar. Não posso votar a favor do financiamento do DHS enquanto este Governo prosseguir esta política violenta nas nossas cidades", declarou o senador democrata da Virgínia, Mark Warner, na rede social X.
O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, esclareceu a posição do partido, assegurando que vai bloquear qualquer novo financiamento se este envolver também o DHS, que considerou "lamentavelmente inadequado para controlar os abusos do ICE".
A Casa Branca e a secretária da Segurança Interna, Kristi Noem, sustentaram que a morte de Alex Pretti foi um caso de legítima defesa, alegando --- apesar de as imagens mostrarem o contrário --- que este se aproximou dos polícias brandindo uma arma, com a clara intenção de cometer "um massacre".
Embora fosse portador de uma arma, com a respetiva licença, como confirmaram a polícia local e a família, vários vídeos mostram Alex Pretti a aproximar-se dos polícias com um telemóvel na mão para ajudar uma pessoa imobilizada no chão pela polícia, antes de ser, por sua vez, obrigado a ajoelhar-se, espancado, desarmado e morto a tiro.
Para Trump, uma segunda paralisação da administração federal em menos de seis meses, depois da anterior - que perturbou o tráfego aéreo, atrasou o pagamento de salários e custou politicamente caro ao Governo -, pode ser um desafio significativo.

