EUA

Operação de imigração em Minneapolis sob fogo: suspensos os agentes envolvidos nas morte de Renee Good e Alex Pretti

As mortes desencadearam protestos e críticas às investigações federais, com democratas a solicitarem investigações sobre direitos civis. A administração Trump defende a legítima defesa dos agentes, enquanto as tensões em Minneapolis permanecem elevadas.

Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) aproximam‑se de uma casa antes de deter duas pessoas em 13 de janeiro de 2026, na cidade de Minneapolis, no estado de Minnesota, como parte de uma grande operação de fiscalização da imigração liderada pelo governo federal.
Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) aproximam‑se de uma casa antes de deter duas pessoas em 13 de janeiro de 2026, na cidade de Minneapolis, no estado de Minnesota, como parte de uma grande operação de fiscalização da imigração liderada pelo governo federal.
Stephen Maturen / GETTY IMAGES

O Serviço de Imigração e Alfândegas (ICE, na sigla em inglês) norte-americano suspendeu o agente que matou a cidadã Renee Good na cidade de Minneapolis, revelou esta quarta-feira fonte oficial do governo.

O agente Jonathan Ross, segundo informações oficiais citadas pelo HuffPost, foi suspenso enquanto é investigado o incidente a 7 de janeiro que resultou na morte de Good durante operações anti-imigração ilegal na cidade de Minneapolis (norte).

Tricia McLaughlin, porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS), confirmou à publicação que Ross foi colocado em licença administrativa, sem especificar quando é que a suspensão entrou em vigor.

Também esta quarta-feira, a Agência de Alfândegas e Proteção de Fronteiras (CBP) anunciou que foram temporariamente suspensos de funções dois elementos envolvidos na morte a tiro de Alex Pretti em Minneapolis.

"É um procedimento padrão", declarou um porta-voz da CBP, citado pela agência de notícias francesa France-Presse (AFP).

O que diz o relatório?

O diário norte-americano The New York Times avançou que se trata dos dois polícias que a 24 de janeiro abriram fogo, disparando dez tiros, sobre Pretti, um enfermeiro de 37 anos desarmado, enquanto vários outros agentes tentavam imobilizá-lo no chão, de acordo com um relatório do DHS entregue ao Congresso.

A morte de Pretti desencadeou uma onda de protestos nos Estados Unidos, obrigando o Governo do Presidente, Donald Trump, a afastar Gregory Bovino, designado como "comandante-chefe" das operações da CBP em Minneapolis e que regressou ao antigo posto em El Centro, na Califórnia.

Altos funcionários do governo do Presidente Donald Trump defenderam as ações dos agentes em ambos os casos.

No caso de Good, mãe de três filhos, o vice-presidente JD Vance afirmou que o agente Ross gozava de "imunidade absoluta".

Good, que tinha bloqueado o caminho dos agentes com o seu veículo, estava a manobrar para o retirar da área da operação quando os agentes se aproximaram para tentar impedi-la.

Nesse momento, Ross, que estava à frente dos agentes, disparou e matou-o.

Governo fala em legítima defesa

A administração Trump sustentou desde o início que o agente agiu em legítima defesa porque Good, de 37 anos, tentou atropelá-lo com o seu veículo, e que, por isso, o agente é inocente.

A investigação da polícia federal (FBI) à morte de Good tem sido alvo de críticas, sobretudo por parte das autoridades do estado do Minnesota, a quem foi negado o acesso às provas.

Seguindo este precedente, o gabinete do Procurador-Geral do Minnesota solicitou e obteve uma ordem judicial de emergência de um juiz federal que proibia o DHS e outras agências federais de destruírem ou alterarem provas relacionadas com a morte de Pretti.

Um grupo de legisladores democratas da Comissão Judiciária do Senado instou o Departamento de Justiça (DOJ) a abrir uma investigação sobre os direitos civis relativamente à morte de Good.

Numa carta dirigida à procuradora-geral adjunta Harmeet Dhillon, os senadores sublinharam que a decisão do DOJ de não investigar o assassínio de Good é emblemática e faz parte de uma tendência geral do departamento para desconsiderar as leis dos direitos civis em favor da agenda de deportação em massa do Presidente Trump.

Estados Unidos em sobressalto

Após semanas de retórica agressiva e confrontos da polícia com manifestantes, Trump sinalizou esta semana vontade de aliviar as tensões em Minneapolis, mas na cidade não se registam mudanças significativas, segundo a agência AP.

As operações de fiscalização da imigração e confrontos com ativistas continuavam em Minneapolis e na vizinha cidade de St. Paul.

Numa notória mudança de postura, Trump afirmou nos últimos dias que ele e o governador Tim Walz, que criticou durante semanas, estavam em "sintonia", após uma chamada telefónica.

Depois de conversar com o presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey, o Presidente declarou ainda que "estão a ser feitos muitos progressos".


Com LUSA