Enquanto o Sol de verão incide abrasador sobre Cotonu, Carine Kiki aplica cuidadosamente protetor solar em todo o corpo das suas filhas gémeas albinas. As meninas fazem parte de uma comunidade já vulnerável que corre agora riscos acrescidos, à medida que a África Ocidental enfrenta ondas de calor extremas.
África está a aquecer a um ritmo mais rápido do que o resto do planeta e a enfrentar desastres climáticos e meteorológicos mais graves, como as secas, de acordo com um relatório conjunto da ONU e da União Africana em 2023. O relatório confirma que a taxa média de aquecimento em África foi de 0,3 graus Celsius por década no período 1991-2022, em comparação com 0,2 graus no conjunto do mundo.
Uma análise recente da World Weather Attribution, um grupo internacional de cientistas climáticos, relacionou as temperaturas extremas com as alterações climáticas, alertando que tais ondas de calor poderiam tornar-se mais frequentes sem reduções significativas nas emissões de gases com efeito de estufa.
Os albinos em África já são uma comunidade que corre inúmeros riscos de vida e o aumento das temperaturas torna-os ainda mais vulneráveis.
"Não ficam doentes com tanta frequência. Em termos de saúde, a pele é o único problema que têm", disse Carine Kiki à Reuters, explicando a vigilância constante necessária para proteger as filhas dos raios nocivos do Sol e as dificuldades financeiras para comprar os protetores solares.
No centro dos esforços de apoio a famílias como a de Carine Kiki está a Albi International, uma associação fundada por Carine Houngue, uma mulher de 38 anos com albinismo.
Num dia sufocante de junho, a Reuters esteve com Carine Houngue que recebeu um grupo de pessoas com albinismo no centro, onde distribui protetor solar, chapéus e óculos de sol aos visitantes.
“Foi o Sol que causou o cancro da minha irmã”, explicou Houngue, contando a tragédia pessoal que desencadeou a sua missão. “Precisamos de criar algo para aumentar a consciencialização, para fazer com que as nossas vozes sejam ouvidas”.
Diane Assogba, dermatologista em Cotonu, explicou os riscos acrescidos para as pessoas com albinismo.
“Os raios ultravioleta provocam alterações no ADN das células da pele. A acumulação destes danos leva a uma modificação das células da pele, que se tornam progressivamente cancerígenas”.
A médica salientou a importância do uso de chapéus, óculos de sol e vestuário de proteção à medida que os eventos climáticos extremos, como as ondas de calor, se tornam mais frequentes.
