Visto por muitos como um desporto agressivo e dominado por homens, o râguebi está a conquistar rapidamente o interesse das raparigas africanas do Togo à Costa do Marfim e ao Benim, a desafiar normas de género e a abrir novos caminhos para a emancipação feminina. A dedicação de Kadidjath Ouedraogo espelha uma transformação mais ampla que está a ocorrer na África Ocidental.
Com maior tradição no Sul do continente, o râguebi tem vindo a crescer noutros países africanos e a desafiar protótipos de uma sociedade tradicionalmente machista.
No ano passado, as exibições de Kadidjath ajudaram a sua equipa a levantar o troféu de campeã em Lomé, capital do Togo, e a conquistar a medalha de bronze em Abidjan, na Costa do Marfim - feitos que tiveram impacto para além das fronteiras do Benim.
“Os meus pais lembram-me sempre quando tenho treino, mas os meus amigos dizem que é um desporto demasiado violento, que sou rapariga e que não vou conseguir ter filhos se continuar a jogar”, conta a jovem jogadora à agência Reuters em Porto Novo, capital do Benim e onde Kadidjath treina.
A cerca de 30 quilómetros, em Cotonou, cidade onde reside e que é a mais populosa do país, o pai admite que, no início, estava apreensivo.
"Via râguebi na televisão e assustava-me”, recorda. “Mas desde que ela começou, está mais calma e disciplinada. Consegue equilibrar os estudos, as tarefas de casa e o desporto. Não podia estar mais orgulhoso,” garante à Reuters.
Em casa, as medalhas testemunham o apoio da família e a determinação de Kadidjath que assume gostar mais de jogar com rapazes para lhes mostrar que "pode fazer o que eles fazem".
Sob a orientação de Koffi N’Guessan Marie-Laure, a jovem jogadora tem crescido: “É tímida fora do campo, mas destemida dentro dele”, afirma a treinadora.
Com os olhos postos na seleção nacional do Benim e numa carreira profissional no estrangeiro, Kadidjath segue os passos de ídolos como o jogador francês, Antoine Dupont e representa a nova vaga de jovens africanas que estão a redefinir o papel do râguebi.
