Um drone subaquático de última geração ajudou a revelar a degradação preocupante do recife de coral de Hall Bank, na costa da Austrália Ocidental. Utilizando inteligência artificial e modelos 3D, o Hydrus permitiu uma análise detalhada da crise ambiental que se está a agravar silenciosamente nos oceanos.
O Hydrus é um drone subaquático compacto e totalmente autonomizado (AUV), capaz de operar sem GPS ou acesso à internet.
Desenvolvido para ser utilizado por um único operador, reduz significativamente os custos e a logística associados à monitorização tradicional com mergulhadores.
A sua capacidade de cobrir grandes áreas permite recolher imagens de alta resolução cruciais para avaliar a saúde dos recifes e apoiar estratégias de conservação.
Missão no recife de Hall Bank
Três drones Hydrus trabalharam em conjunto para fazer um mapa digital do fundo do mar de Hall Bank. Com tecnologia 3D, criaram um modelo detalhado que revelou sinais graves de branqueamento e fragmentação dos corais – uma crise ambiental silenciosa, mas acelerada.
Capaz de operar a profundidades de até 300 metros durante três horas, o Hydrus tem um alcance superior a 1,5 km e consegue captar vídeos em 4K, analisando simultaneamente os dados recolhidos. Essa informação permitiu criar um gémeo digital 3D do recife, que mostrou um fundo marinho empobrecido, com corais pálidos e estruturas degradadas.
"É extremamente difícil conservar e monitorizar os recifes sem dados concretos. Este tipo de tecnologia é essencial para orientar os nossos esforços", explicou à Reuters Alec McGregor, engenheiro de IA da empresa Advanced Navigation, responsável pelo Hydrus.
A análise 3D não mostra apenas o estado visual dos corais. Permite também medir a rugosidade do fundo marinho – um indicador de complexidade estrutural, frequentemente associado à biodiversidade.
"Com um modelo tridimensional, conseguimos quantificar essa complexidade. Embora não seja uma relação perfeita, sabemos que recifes mais complexos têm tendencialmente maior diversidade", afirmou Claudio Del Deo, investigador de recifes de coral e diretor da empresa O2 Marine.
O branqueamento observado em Hall Bank está longe de ser um caso isolado. Uma vaga de calor em março elevou as temperaturas da superfície do mar até 4ºC acima da média do verão.
Este fenómeno foi apontado como o principal responsável pelo branqueamento em dois recifes classificados como património mundial da humanidade: Ningaloo e a Grande Barreira de Coral.
