Em Ras al-Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos, uma quinta de pérolas flutuante recebe visitantes interessados em conhecer uma tradição que marcou durante séculos a vida no Golfo Pérsico e que hoje sobrevive graças ao cultivo controlado de pérolas.
Nas águas calmas de Ras al-Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos, visitantes e turistas embarcam rumo a uma quinta de pérolas flutuante, onde se preserva uma tradição antiga ligada à identidade da região.
“Hoje vão à Casa da Pérola. É um edifício flutuante dentro da Lagoa al-Rams. E, pelo caminho, é possível ver alguns camelos a passear na praia da ilha de al-Helela”, diz o guia turístico Muhammad Taqi al-Din aos visitantes da Quinta de Pérolas Suwaidi, enquanto o barco desliza ao longo da costa.
Já na quinta de pérolas de Suwaidi, redes com ostras perlíferas flutuam logo abaixo da superfície da água. É ali que decorre todo o processo de cultivo.
O guia Muhammad Taqi al-Din explica que as ostras passam por diferentes fases de crescimento ao longo de vários meses antes da colheita das pérolas, num processo controlado que substituiu as práticas tradicionais.
“Hoje trouxemos os nossos visitantes e explicámos a história e como fazemos a agricultura, e como antigamente os emiradenses, viviam da pesca das pérolas. Mostrámos também pérolas classificadas, pérolas de diferentes categorias. Abrimos ostras para encontrar pérolas e explicámos como se formam".
Do apogeu ao declínio da pesca tradicional
Há mais de um século, a pesca de pérolas era a principal fonte de rendimento das populações costeiras do Golfo Pérsico. Os pescadores mergulhavam até 40 metros de profundidade em busca das ostras, numa atividade dura e arriscada.
As pérolas sustentavam comunidades inteiras ao longo do que são hoje os emirados Árabes Unidos, o Kuwait e o Bahrein, muito antes da descoberta do petróleo. Esta indústria entrou em declínio no início do século XX, quando os japoneses desenvolveram um método para cultivar pérolas perfeitamente redondas. Mas, segundo o guia Taqi al-Din, foi sobretudo a descoberta do petróleo que ditou o fim da pesca tradicional de pérolas na região.
“A pérola natural é difícil de obter. Em cada 100 (ostras), só se obtém uma pérola. Quando é cultivada… a pérola natural tem 1% de hipóteses, no cultivo, as hipóteses são de 60%".
Com o cultivo, as pérolas passaram a ser produzidas em quintas especializadas, através da inserção de pequenas bolas de cerâmica nas ostras, que estas revestem com camadas de nácar, também conhecido como madrepérola.
“Nas pérolas de cultura, os humanos intervêm no processo estimulando a ostra a produzir a pérola. Nas pérolas naturais, organismos estranhos entram na ostra, e a ostra defende-se, produzindo uma pérola natural”, explica o joalheiro de pérolas da Suwaidi, o emiradense Othman Abdallah.
Devido à sua raridade, as pérolas naturais podem atingir valores de centenas de milhares de dólares. Já as pérolas de cultura são mais acessíveis, com preços que variam entre algumas centenas e vários milhares de dólares, dependendo do tamanho, da forma e do brilho.
