Análise

Covid-19. “Ou há vítimas nos hospitais ou na economia”

A análise de Bernardo Ferrão e José Gomes Ferreira.

O primeiro-ministro afirmou esta sexta-feira que ainda não é altura para desconfinar, motivo pelo não há alterações às medidas de restrição do estado de emergência. António Costa fez saber, no entanto, que o Governo apresentará um plano para o desconfinamento a 11 de março.

Bernardo Ferrão considera ser importante que, na comunicação ao país, António Costa continue a sublinhar a enorme preocupação com os números da covid-19, sobretudo porque a situação ainda é muito complicada nos hospitais.

José Gomes Ferreira afirma que o plano para o desconfinamento “faz muita falta” e que o facto de só ser apresentado um mês depois de ter sido pedido pelo Presidente da República tem muitas implicações para o país.

A importância da retoma para o turismo

“Um plano é uma previsão de como as coisas podem acontecer, pode ter variáveis, cenários mais gravosos, médios”, afirma, acrescentando que do ponto de vista interno é especialmente importante a previsão de retoma de algumas atividades económicas, sobretudo ao nível do turismo.

José Gomes Ferreira usa como exemplo o que aconteceu no Reino Unido, quando o primeiro-ministro britânico anunciou um plano de desconfinamento que prevê vários cenários. “Os britânicos desataram a marcar férias. Neste momento olham para o nosso país e dizem ‘não vou marcar nada porque não há nenhuma luz sobre o que vai acontecer’”. Destaca, por isso, a necessidade urgente da divulgação do plano.

“Neste momento não temos possibilidade de planear nada. Só sabemos que a reabertura vai começar pelas escolas”.

A ameaça de uma nova vaga

Bernardo Ferrão concorda, apontando que o plano é importante para os empresários começarem a fazer os seus cálculos, mas alerta que “se tirarmos o pé da mola, temos uma nova vaga e os hospitais não estão capacitados para a enfrentar”.

“Ou há vítimas nos hospitais ou na economia. Vimos no Natal o que aconteceu pela tentação de abrir mais cedo”, afirma.

José Gomes Ferreira pede que o país não seja de “oito nem 80” e critica o facto de se poder ir a um hipermercado, onde à partida não existe uma situação descontrolada de contágios, e não se poder ir a uma loja comprar roupa ou calçado, desde que exista controlo das entradas.

“Tudo o que tem a ver com pontos de venda onde há risco de ajuntamentos, estou de acordo, mas não posso conceber que uma loja na baixa de uma cidade não possa ter um postigo para vender umas calças. Acho que exagerámos”, conclui.