País

Desconfinamento vai começar pelas escolas. Plano apresentado a 11 de março

ANTÓNIO COTRIM

Medidas de combate à pandemia vão manter-se como estão. Primeiro-ministro promete um plano "gradual", que "abrangerá sucessivas atividades e será guiado por um conjunto de objetivos".

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou esta sexta-feira que "este, infelizmente, não é ainda o tempo do desconfinamento", motivo pelo qual o Governo aprovou o decreto regulamentar do estado de emergência, que se iniciará na terça-feira e se estenderá até 16 de março, sem qualquer alteração.

"O Conselho de Ministros, como era expectável, aprovou sem qualquer alteração a renovação do decreto lei que há 15 dias atrás tinha aprovado", referiu o primeiro-ministro, numa declaração desde o Palácio da Ajuda, em Lisboa.

"Este, infelizmente, não é ainda o tempo do desconfinamento", justificou, explicando que o outro motivo para esta manutenção das medidas em vigor é o facto de estas estarem a produzir os efeitos desejados de controlo da pandemia de covid-19.

António Costa explicou que a comparação entre os dados do desconfinamento da primeira vaga e os atuais mostra que ainda se regista um número de novos casos quatro vezes superior ao dessa altura.

“Estamos quatro vezes piores do que o dia em que iniciámos o desconfinamento em maio passado”, disse o primeiro-ministro.

Consulte abaixo o documento apresentado por António Costa:

Variante britânica justifica "maior prudência"

A variante britânica presente em Portugal foi a segunda razão apontada pelo primeiro-ministro para manter as atuais medidas. A percentagem de casos positivos desta variante ronda os 50%, revelou.

Plano de desconfinamento apresentado a 11 de março. Escolas reabrem primeiro

O primeiro-ministro anunciou que a 11 de março, dentro de cerca de duas semanas, apresentará um plano de desconfinamento ao país.

“Será (um plano) gradual, que abrangerá sucessivas atividades e será guiado por um conjunto de critérios e objetivos”, afirmou Costa.

“Temos de ficar confinados nos próximos 15 dias. Esta é a principal mensagem”, disse o primeiro-ministro, assumindo que é desnecessário adiantar a discussão "do que deve ser discutido no momento próprio".

"Quanto às escolas, é sabido que o Governo resistiu o mais que pôde à necessidade de encerramento das escolas porque temos bem consciência do custo elevadíssimo que tem para o desenvolvimento da personalidade das crianças, para o seu processo de aprendizagem e é um dos maiores fatores de desigualdade no conjunto destas medidas", afirmou Costa.

Tendo sido a "última medida" tomada pelo executivo para o confinamento em vigor, o primeiro-ministro admitiu: "é natural que seja também a primeira medida que venhamos a tomar seja iniciar o desconfinamento pelas escolas".

Existe "total consonância entre o Governo e o Presidente da República"

O primeiro-ministro garantiu também que há uma grande solidariedade entre o Governo e o Presidente da República para que o país compreenda e aceite as medidas de restrição que têm vindo a ser adotadas.

"Não houve, até agora, nenhuma medida que não seja adotada em total consonância entre o Governo e o Presidente da República", reiterou.