Coronavírus

Debate sobre covid-19. A evolução, a vacinação e o futuro da pandemia em Portugal

Ricardo Mexia e Luís Graça debatem a criação de um plano de desconfinamento, a comunicação durante a pandemia, a vacinação e a imunidade de grupo.

No dia em que António Costa anunciou que o confinamento irá manter-se, nos mesmos moldes, até 16 de março, Ricardo Mexia, presidente da Associação de Médicos de Saúde Pública, e Luís Graça, imunologista e membro da Comissão Técnica de Vacinação, debatem o estado da pandemia em Portugal,

Um dos principais assuntos em discussão na Edição da Tarde foi a criação de um plano para o desconfinamento. Ricardo Mexia lembra que “ainda há pressão nos serviços, há muita gente internada em unidades de cuidados intensivos e isso é uma preocupação”. Contudo, sublinha que “planear esta retoma e fazê-lo de forma gradual e faseada” é uma atitude “razoável”.

Luís Graça destaca que os números atuais dão sinais positivos; “Acho que existem alguns motivos para algum progressivo otimismo com o evoluir da situação. Nós já temos a garantia, por exemplo, que uma situação dramática – como aquela que se viveu em janeiro, com uma elevada mortalidade – provavelmente já não se vai repetir”, afirma o imunologista.

A comunicação perante a pandemia, que tem sido muitas vezes criticada, foi também um dos assuntos em debate, principalmente devido à ausência da diretora-geral da Saúde, Graça Freitas.

Nesse assunto, o presidente da Associação de Médicos de Saúde Pública defende que deveria haver uma separação do técnico e do político, havendo “um órgão técnico independente que analise toda a informação e que chegue a uma recomendação coerente”, deixando para os políticos a decisão final de a seguir ou não.

Sobre a vacinação da população, Luís Graça destaca que os reguladores, nomeadamente a Agência Europeia do Medicamento, são muito exigentes com a avaliação dos fármacos, o que faz com que as vacinas e os medicamentos aprovados seguros. Para manter a segurança nos fármacos, os reguladores exigem condições de produção de forma a garantir a mesma qualidade em todos os lotes.

“Nós queremos o melhor dos dois mundos: queremos produtos farmacêuticos que são seguros, mas temos de ter mecanismos que garantam esta segurança. Apesar de toda a necessidade que tem assistido, é arriscado não continuarmos com o mesmo grau de exigência para estas vacinas. Por essa razão, os produtos que chegam ao mercado são seguros, mas têm de passar por estes critérios estritos que são comuns a todos os medicamentos”, explica o especialistas.

O coordenador da task force, o almirante Henrique Gouveia e Melo, afirmou que seria possível atingir a imunidade de grupo em agosto. No entanto, o imunologista destaca que existem fatores a ter em conta no cálculo desta questão, como a existência de novas variantes e a eficácia das vacinas administradas. Também Ricardo Mexia lembra que a cobertura vacinal não significa imunidade de grupo: "Temos de ser cautelosos nesta análise", alerta sublinhado que os 70% de cobertura vacinal pode não corresponder à tão "almejada" imunidade de grupo.