O principal suspeito do desaparecimento de Rui Pedro, visto pela última vez a 04 de março de 1998, foi acusado do crime de rapto. Afonso Dias foi notificado da acusação no sábado.
Cândida Almeida lembrou hoje que "o processo foi passado para o DCIAP em setembro de 2003" e, "nessa altura, teve de reiniciar-se toda uma investigação, como se o processo fosse novo".
"Este tipo de processo é muito complicado. Teve vários circunstancialismos que atrasaram, que impediram um juízo de suspeita mais rápido, como seria desejável. Houve cartas rogatórias para o estrangeiro, várias pistas que foram seguidas e que tiveram de fechar-se", afirmou.
De acordo com a magistrada do MP, o processo teria prescrito em 2008, "se não tivesse sido interrogado ninguém". "Mas o arguido já tinha sido interrogado, portanto suspendeu-se o prazo".
Cândida Almeida explicou que "durante 30 dias, quer o assistente (família do Rui Pedro), quer o arguido poderão pedir a instrução do processo".
A acusação "será eventualmente sujeita a instrução ou avaliada depois em julgamento, onde se provará a culpa ou não deste arguido".
Só na fase de instrução "serão estabelecidas eventuais medidas de coação a Afonso Dias".
A diretora do DCIAP adiantou que a versão formal da acusação é de 07 de fevereiro, mas que desde janeiro sabiam que iria ser deduzida acusação.
Para Cândida Almeida, esta acusação "é uma meia justiça".
"Queríamos ir até ao fim do mundo. Quem vir o processo verá e perceberá que houve altos e baixos. Mas a pista da pedofilia, não há qualquer indício, fechadas que foram todas as suspeitas e as cartas rogatórias cumpridas", afirmou.
A magistrada salvaguardou que "importa também garantir os direitos do arguido".
"Nós, MP, consideramos haver indícios suficientes, mas isso está sujeito à decisão de um juiz", disse.
Rui Pedro foi visto pela última vez a 04 de março de 1998, em Lousada, quando tinha onze anos.
Lusa
