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Racionamento da água é medida de último recurso

Racionamento da água é medida de último recurso

O ministro do Ambiente acredita que não será necessário racionar a água na casa dos portugueses, se todos fizerem um uso racional desse consumo. Mas admite medidas concretas como a diminuição da pressão da água canalizada.

É a seca mais longa e grave que Portugal já viveu e a solução pela chuva em abundância que teima em tardar e, se não chove, os portugueses têm mesmo que adoptar medidas para poupar água. Medidas que poderão passar pelo racionamento de água durante a noite em zonas do país que estão em situação de seca extrema.

O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, reforça que este racionamento poderá passar pela diminuição da pressão da agua canalizada como forma de poupança.

Em entrevista ao jornal i, o secretário de Estado do Ambiente Carlos Martins apela a um "autocontrolo das pessoas" no consumo de água como uma das melhores formas de combater a seca. Uma atitude de cada um que passa por:

  • banhos mais rápidos e mais espaçados;
  • não deixar a torneira aberta na lavagem da loiça e dentes;
  • ser mais disciplinado nos despejos de água nos sanitários e rega de jardins onde se pode usar água usada;

Poupar em determinadas zonas onde não há falta de água é uma forma de ajudar onde ela faz falta. O que se poupar pode ser transportada para regiões onde há escassez.

Para o ministro do Ambiente, a água não faltará se cada um dos portugueses fizer a sua parte.

O Governo admite que o país vive a pior seca desde 2005 e que tudo seria pior sem as barragens de Alqueva, de Odelouca (no Algarve) as barragens construídas em Trás-os-Montes.

O Executivo adianta que, para o consumo humano e na maioria do território, as reservas superficiais têm água para 10 meses.

Portugal tem 6 % de território em situação de seca severa e 94 % está em seca extrema, o nível máximo e mais grave.

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