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Mustafá sai em liberdade

RUI MINDERICO

Líder da Juventude Leonina fica obrigado a fazer apresentações periódicas semanais.

O líder da claque Juventude Leonina, Mustafá, saiu esta sexta-feira em liberdade, ficando apenas obrigado a fazer apresentações periódicas semanais. Na quarta-feira tinha apresentado o terceiro pedido de alteração da medida de coação.

Foram escassas as palavras do líder da Juventude Leonina à comunicação social depois de ter sido libertado. À saída do tribunal de Monsato, Mustafá disse apenas que não é terrista nem traficante de droga.

Detido preventivamente desde maio de 2019 por alegado tráfico de estupefacientes, não estava nos grupos onde foi combinado o ataque e não respondeu a mensagens em outros grupos de que fazia parte desde a derrota (2-1) do Sporting no terreno do Marítimo, que ditou o afastamento da equipa do segundo lugar da I Liga e da Liga dos Campeões, dois dias antes do ataque.

O que disse Mustafá no julgamento

Ouvido esta semana em tribunal, Mustafá - líder da claque do Sporting “Juventude Leonina” - garantiu que não sabia dos planos para a invasão da academia de Alcochete. O arguido garantiu ter passado o dia do ataque em casa, com o telefone desligado, e ter sabido do ataque pela televisão, depois de ter sido alertado pela mulher.

"No dia 15 acordei com a canja da Cristina, voltei a dormir, nem sai de casa", disse, acrescentando que mais tarde foi a mulher que o acordou para "ver na televisão o que se estava a passar na academia".

Mustafá, que foi à Madeira, mas acabou por ver o jogo com o Marítimo na televisão "num café", disse ter regressado a Lisboa na segunda-feira de manhã, e ido para casa.

"Vim da Madeira na segunda-feira, apaguei, e 24 horas depois tenho o mundo todo em cima de mim", referiu, admitindo que os desacatos no aeroporto do Funchal entre jogadores e adeptos lhe "passaram ao lado".

O líder da Juve Leo desde 2011, que disse ser "a única pessoa em Portugal presa por 14 gramas [de droga] e sem investigação", considerou que "nada do que se passou é normal" e chegou mesmo a desabafar:

"Não estive na academia [no dia da invasão], antes tivesse estado".

O processo da invasão à Academia do Sporting tem 44 arguidos, acusados da coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo. Bruno de Carvalho, 'Mustafá' e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos do Sporting, estão acusados de autoria moral de todos os crimes.

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