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Chega diz que morte de ator Bruno Candé é uma tragédia sem relação com racismo

"Portugal é o país menos racista da Europa, talvez do mundo, pelo que só nos resta transmitir à família e amigos de Bruno Candé sentimentos de solidariedade e conforto"

A direção nacional do Chega sustentou este domingo que a morte do ator Bruno Candé Marques, baleado no sábado em Moscavide, é uma tragédia sem relação com o racismo e acusou a esquerda de aproveitamento destes casos.

Apesar de, em comunicado, a família do ator de 39 anos referir que "o seu assassino já o havia ameaçado de morte três dias antes, proferindo vários insultos racistas", a direção do Chega contrapôs que "o assassinato do ator Bruno Candé é uma tragédia mas nada tem, segundo os dados conhecidos até ao momento, a ver com racismo".

Numa nota enviada aos órgãos de comunicação social, o partido liderado pelo deputado André Ventura reiterou a ideia de que "a sociedade portuguesa não é racista" e considerou "que o aproveitamento político que a esquerda faz destes episódios é deplorável".

"Portugal é o país menos racista da Europa, talvez do mundo, pelo que só nos resta transmitir à família e amigos de Bruno Candé sentimentos de solidariedade e conforto", acrescentou a direção nacional do Chega, nesta curta nota, com três parágrafos.

Ator Bruno Candé ameaçado de morte e alvo de insultos racistas

No comunicado divulgado no sábado, a família de Bruno Candé Marques referiu que o ator "foi alvejado à queima-roupa, com quatro tiros, na rua principal de Moscavide", no concelho de Loures, distrito de Lisboa, e que "o seu assassino já o havia ameaçado de morte três dias antes, proferindo vários insultos racistas".

Face a esta circunstância", a família considerou que "fica evidente o caráter premeditado e racista deste crime" e exigiu que "a justiça seja feita de forma célere e rigorosa".

A família menciona que Bruno Candé Marques era ator da companhia de teatro Casa Conveniente desde 2010, tendo participado em telenovelas.

Este domingo, em resposta aos jornalistas, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, declarou que a Polícia de Segurança Pública (PSP) "deteve, de imediato, o alegado responsável" pelo crime de homicídio, acrescentando: "As autoridades judiciárias tomarão as suas decisões relativamente a um crime que vivamente repudiamos".

A PSP informou no sábado, sem identificar a vítima, que um homem morreu após ter sido baleado em várias partes do corpo, por outro homem com cerca de 80 anos, na Avenida de Moscavide, em Loures, adiantando que o suspeito tinha sido detido e a arma de fogo apreendida.

Em comunicado, a associação SOS Racismo reclamou que "justiça seja feita", defendendo que "o caráter premeditado do assassinato não deixa margem para dúvidas de que se trata de um crime com motivações de ódio racial".