País

Prisão preventiva para o alegado homicida do ator Bruno Candé

Bruno Candé

Bruno Simão

O homem de 76 anos foi ouvido esta manhã no Tribunal de Loures

O suspeito da morte do ator Bruno Candé, que morreu baleado no sábado em Moscavide, concelho de Loures, vai aguardar o julgamento em prisão preventiva.


O homem de 76 anos foi ouvido esta manhã no Tribunal de Loures, tendo-se "remetido ao silêncio".


Família contraria a PSP que nega motivações racistas do crime

A família de Bruno Candé acredita que o homicídio teve motivações racistas. Fonte oficial da PSP diz não ter, até agora, informações que comprovem a acusação.

Amigos e colegas lembram um homem inspirador

Os que partilharam o palco com Bruno Candé recordam-no como um ator pleno e um homem inspirador. Bruno era português de ascendência guineense. Tinha três filhos menores, de 7, 5 e 3 anos.

O homicida foi imobilizado pela população, que testemunhou o crime, até à chegada da polícia. O homem de 80 anos não ofereceu resistência à detenção e foi levado para a esquadra.

Catarina Martins repudia "assassinato violento, racista"

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, repudiou este domingo a morte do ator.

Catarina Martins, que falava no encerramento do "Acampamento Online Liberdade 2020" do BE, defendeu que é bom que se perceba que "racismo não é opinião, é crime", e que, "quando se tira a humanidade a outros com o racismo, estas coisas acontecem".

Numa intervenção transmitida em direto no Facebook, a coordenadora do BE considerou que, quando "não se considera as pessoas, não se olha nos olhos", quando "se alguém acha que os outros não são iguais, então a violência acontece".

Catarina Martins interrogou "como é possível o tom de pele determinar que alguém perca assim a vida num crime tão odioso".

"E, se ficaremos a pensar nesta família, nos amigos, nesta perda, nesta enorme dor, não deixaremos também de discutir essa frase que é muitas vezes dita, e o seu significado profundo: o racismo não é uma opinião, o racismo é crime, e o crime acontece", reforçou.

Chega diz é uma tragédia sem relação com racismo

A direção nacional do Chega sustentou este domingo que a morte do ator Bruno Candé Marques é uma tragédia sem relação com o racismo e acusou a esquerda de aproveitamento destes casos.

Apesar de, em comunicado, a família do ator de 39 anos referir que "o seu assassino já o havia ameaçado de morte três dias antes, proferindo vários insultos racistas", a direção do Chega contrapôs que "o assassinato do ator Bruno Candé é uma tragédia mas nada tem, segundo os dados conhecidos até ao momento, a ver com racismo".

Numa nota enviada aos órgãos de comunicação social, o partido liderado pelo deputado André Ventura reiterou a ideia de que "a sociedade portuguesa não é racista" e considerou "que o aproveitamento político que a esquerda faz destes episódios é deplorável".

"Portugal é o país menos racista da Europa, talvez do mundo, pelo que só nos resta transmitir à família e amigos de Bruno Candé sentimentos de solidariedade e conforto", acrescentou a direção nacional do Chega, nesta curta nota, com três parágrafos.