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“Não devíamos ter um botão de pânico contra governantes que não assumem responsabilidades?”

Bernardo Ferrão analisa a morte de Ihor Homenyuk no aeroporto de Lisboa.

Apesar da demissão da diretora do SEF na sequência da morte do cidadão ucraniano no aeroporto de Lisboa, continua a pressão sobre o Ministério da Administração Interna. Para Bernardo Ferrão, Eduardo Cabrita está cada vez mais envolvido “numa névoa de uma história muito mal explicada”.

Começa por referir que, num artigo recente do Diário de Notícias, foi noticiado que o ministro da Administração Interna disse na Assembleia da República que o SEF tinha instaurado um processo interno no dia 13 de março, o dia seguinte à morte do cidadão ucraniano. No entanto, o inquérito do IGAI só foi aberto 17 dias depois, no dia 30 de março, explica Bernardo Ferrão, acusando Eduardo Cabrita de “uma série de contradições que teima em não esclarecer”.

Questionado sobre se o ministro deve manter o cargo, considera que mesmo que tal aconteça, Eduardo Cabrita não se manterá com a mesma solidez. Diz, ainda assim, que essa é uma decisão que compete ao Executivo e ao primeiro-ministro, não deixando de lembrar que o historial do ministro mostra que esteve “envolvido politicamente em alguns casos que estão sob a sua tutela e que normalmente não são bem resolvidos”.

Bernardo Ferrão lamenta ainda que a viúva do cidadão ucraniano não tenha sido contactada pelo Estado português, e aponta falhas ao Presidente da República, relembrando que fez notas no site da Presidência aquando da morte, por exemplo, de George Michael, David Bowie ou Prince.

O que vai mal no SEF?

“É algo que está a ser denunciado há muito tempo”, afirma Bernardo Ferrão, recordando declarações da Provedora de Justiça sobre o Centro de Instalação Temporária do Aeroporto de Lisboa, que classificou de uma “terra de ninguém”.

“Vão ali dar todo o tipo de pessoas que tentam entrar em Portugal, mas não devem ser olhadas à partida como criminosas. Ou querem uma vida melhor ou estão a fugir de alguma coisa. O que se passou aqui foi uma total ausência de humanismo em relação a este homem”.

Termina defendendo que as suspeitas são claras e apontam para o encobrimento de homicídio “ao mais alto nível”. Questiona ainda se, à semelhança do botão de pânico a ser colocado nas instalações do SEF, não deveria haver também um botão contra governantes que não assumem responsabilidades.