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Paulo Rangel defende demissão: "Hoje tivemos a confirmação oficial que a ministra mentiu"

Eurodeputado do PSD reage à polémica em torno da escolha do procurador europeu, José Guerra.

Numa entrevista à SIC Notícias, Paulo Rangel, eurodeputado social-democrata, admitiu que a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, devia tirar conclusões políticas da polémica em torno da seleção do procurador europeu José Guerra e que, por isso, devia apresentar a demissão.

Não se trata de um lapso, de um erro, ou de uma gralha, alega Paulo Rangel, explicando os passos dados pelo Governo para reverter a escolha da União Europeia - a procuradora Ana Almeida.

"Inventar que uma pessoa chefiou um departamento de investigação criminal, dizer que ela participou em investigações que não participou e, ainda por, cima dizer que ela tem uma categoria hierárquica que não tem...e dizer que são gralhas. Gralhas, que eu saiba, é quando a pessoa escreve um 'o' em vez de um 'a'", apontou o eurodeputado.

A isto junta-se a demissão do Diretor-Geral de Política da Justiça, Miguel Romão, que alega ter recebido instruções da ministra relativamente a este assunto. Para Paulo Rangel, é a confirmação de que a ministra mentiu numa entrevista dada à RTP, onde alegou não ter tido conhecimento da carta enviada à União Europeia, em que constavam pormenores falsos sobre a carreira do procurador José Guerra.

Ministra devia demitir-se?

Paulo Rangel considera que sim, apesar de o PSD já ter manifestado uma posição contrária acerca desta polémica. O eurodeputado entende que a demissão da ministra seria positiva para o país, para o Governo e até para a própria, uma vez que lhe reconhece qualidades enquanto procuradora.

"Na minha opinião é preciso tirar consequências politicas. Isso significa que devia demitir-se", afirma.

Portugal com o prestígio abalado na União Europeia

Portugal fica mal, começa por dizer Paulo Rangel, acrescentando que vários Estados membros não ficaram satisfeitos com o pedido de Portugal e de outros dois países para alterarem a ordem designada por um organismo europeu.

"Logo aí o prestígio de Portugal ficou abalado", denotou, explicando que o assunto está a gerar agora um grande incomódo no seio da Comissão Europeia, numa altura em que Portugal se inicia na Presidência Europeia.

O eurodeputado lembra também o caso da morte de Ihor Homeniúk às mãos do SEF - um assunto com repercurssão além fronteiras - e que também teve um impacto negativo para Portugal.

Atualmente, considera que o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e Francisca Van Dunem estão feridos "em matérias que têm impacto europeu", numa altura em que os dois têm em mãos pastas importantes da presidência europeia.

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