País

"Questão da desigualdade de género é estrutural e é muito profunda"

Entrevista SIC Notícias

Entrevista à vice-presidente do Instituto da Segurança Social.

Catarina Marcelino, vice-presidente do Instituto da Segurança Social e ex-secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, considera a desigualdade de género estrutural, explicando que no nosso dia-a-dia vivemos com ela de forma ligeira.

Numa entrevista à SIC Notícias, admitiu que muito foi feito desde o 25 de Abril, nomeadamente no que diz respeito à sua qualificação e na participação política. No entanto, afirma que há problemas que se mantêm desde o início do século XX, como as desigualdades salariais.

"Ao fim de 100 anos estamos a falar disto", conclui.

No Dia Internacional da Mulher, Catarina Marcelino avança com números que comprovam que a mulher se assume como cuidadora por natureza social - 85% dos trabalhadores da Segurança Social são mulheres e na ação social são quase 100%.

"É uma área pública do cuidar, que reproduz o papel das mulheres na vida social", disse.

A vice-presidente do Instituto da Segurança Social considera que a pandemia veio agravar a desigualdade social, visto que 82% das pessoas que pediram o apoio extraordinário às famílias foram mulheres.

"A situação de crise empurra as mulheres para casa", acrescentou.

A educação tem um papel fundamental na questão da igualdade de género, considera Catarina Marcelino, que diz que as mulheres são menos treinadas e menos motivadas a participar politicamente.

Em relação à dinâmica familiar, a ex-secretária de Estado sublinha que as crianças aprendem muito com o exemplo - "uma criança que vê o pai e a mãe partilhar, mais facilmente vai partilhar". Todavia, as crianças podem também levar o exemplo para casa e, por isso, a educação para a cidadania "é importantíssima".

"Há uma dinâmica de interação entre o espaço público e o espaço privado que tem de provocar a mudança".