País

MP de Odemira com 12 inquéritos sobre auxílio à imigração e tráfico de pessoas

MÁRIO CRUZ

A questão dos trabalhadores das estufas no concelho de Odemira tem sido muito debatida nos últimos dias.

A Procuradoria-Geral da República confirmou esta quinta-feira à Lusa a existência de 12 inquéritos sobre auxílio à imigração ilegal e tráfico de pessoas no Ministério Público de Odemira, estando os mesmos em investigação.

Os inquéritos "são respeitantes ao auxílio à imigração ilegal para efeitos de exploração laboral e tráfico de pessoas", disse fonte da Procuradoria, atualizando de 11 para 12 os inquéritos os que estão a ser investigados.

No domingo passado o presidente da Câmara de Odemira, José Alberto Guerreiro, disse aos jornalistas que já há dois anos apresentou uma denúncia na Polícia Judiciária sobre situações que considerou suspeitas e que estão na base da existência de "muitos trabalhadores migrantes no concelho".

A questão dos trabalhadores das estufas no concelho de Odemira tem sido muito debatida nos últimos dias, depois de duas freguesias de Odemira terem ficado em cordão sanitária devido à elevada incidência de covid-19 entre os imigrantes que trabalham na agricultura.

Na semana passada, em conferência de imprensa após a reunião do Conselho de Ministros, o primeiro-ministro, António Costa, sublinhou que "alguma população vive em situações de insalubridade habitacional inadmissível, com sobrelotação das habitações", relatando situações de "risco enorme para a saúde pública, além de uma violação gritante dos direitos humanos".

Na segunda-feira, fonte da Procuradoria-Geral da República (PGR) disse à Lusa que o Ministério Público de Odemira tinha em curso 11 inquéritos sobre auxílio à imigração ilegal para efeitos de exploração laboral.

Café em Odemira é arrendado como casa para imigrantes

Têm sido vários os testemunhos de casas sobrelotadas e sem as condições mínimas no concelho de Odemira. Uma equipa da SIC encontrou em São Teotónio um café que no ano passado passou a ser a habitação de trabalhadores imigrantes.

Waqar Umer vive no concelho há mais de cinco anos. Veio para trabalhar nas estufas agrícolas e criou a sua própria empresa há dois anos, que tem já 50 trabalhadores imigrantes, oriundos principalmente do Paquistão.

Wagar admite que a procura de casa para quem chega não é tarefa fácil. Pelo concelho encontram-se locais, por vezes inadequados, que se tornam num espaço para alojar os imigrantes.

Em Cavaleiro, São Teotónio, um café que encerrou no ano passado serve agora de residência para muitos imigrantes. Wagar diz terem ali vivido 15 pessoas, mas na população local falam em mais de 30.

Enquanto a equipa da SIC falava com os moradores do café, chegou o proprietário, que através de olhares e sinais os tentou intimidar. A partir desse momento, os imigrantes olhavam apenas para o chão sem dizer uma única palavra.

Depois, o proprietário tentou impedir a reportagem.