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Só 37% dos portugueses recusa ser governado por um regime autoritário

A percentagem tem vindo a diminuir nos últimos 20 anos.

Há cada vez mais portugueses a admitir serem governados por um líder autoritário. Só 37% dos cidadãos recusam um regime deste tipo. Um estudo realizado pelo Instituto de Ciências Sociais (ICS) mostra que a população cigana, os alcoólicos e os toxicodependentes são os mais rejeitados.

Se um português tiver de decidir quem não quer como vizinho, são os ciganos, os alcoólicos e os toxicodependentes quem aparece como mais indesejados. Por outro lado, os que causam menos rejeição são as pessoas de outra raça ou os trabalhadores imigrantes.

Portugal aparece em quarto lugar na lista de países que consideram que a imigração tem um impacto muito positivo no desenvolvimento do país. Quando a questão é se se deve dar preferência aos portugueses na escola para um emprego, Portugal surge em 13.º lugar.

A caminho das celebrações dos 50 anos do 25 de Abril, a democracia foi também uma das questões do inquérito. Só 37% dos portugueses recusa completamente ter um líder autoritário. Há mais de 20 anos, metade da população recusavam essa ideia.

Os portugueses não rejeitam tanto a ideia de ter um governo tecnocrático: só 28% rejeita a possibilidade de serem os especialistas, e não os governantes, a tomarem decisões. A grande maioria continua a recusar ter forças armadas no poder e quase 90% dos inquiridos entende que a democracia continua a ser o melhor caminho.

O estudo “Os valores dos Portugueses” foi realizado pelo ICS e apoiado pela Fundação La Caixa e a Fundação Gulbenkian. O trabalho integra-se no European Values Study, um projeto que abrange 34 países. O trabalho de campo é da GFK Metris e foi realizado entre 11 de janeiro e 31 de março, tendo por base 1.215 entrevistas. A margem de erro é de 2,8% o nível de confiança de 95%.

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